VOCÊ SE OFENDE FACILMENTE?

editorial-maio-19

A maioria das pessoas a quem faço essa pergunta não titubeia: responde prontamente com um sonoro NÃO! Essa resposta, dada tão rapidamente indica claramente o contrário. Nós, por ignorar nosso valor, criamos um personagem para nos representar, ocultando nossa verdadeira personalidade. Então, é “normal” que todas as respostas sejam dadas pelo nosso personagem. Se usarmos de franqueza (sendo nós mesmos) fica difícil fugir da verdade; a maioria, ou talvez a totalidade reconheça que pela maneira teatral que vivemos, nossa resposta seria um SIM, não tão sonoro. Afinal o que é uma ofensa? Pela maneira melindrosa que adotamos, a relação de palavras que constituem ofensa para nós é muito grande, daí nosso espírito estar sempre “de orelhas em pé”. A pergunta a ser feita para nós mesmos é a seguinte: quem sou eu afinal? Qual é o meu grau de importância entre as demais criaturas que me leva a ofender-me por tudo e por nada? Se a pergunta foi fácil, a resposta por certo não será, porque exige algo que não estamos acostumados a utilizar: desnudar nosso interior; ser, ainda que por poucos momentos, a criatura verdadeira, desprovida de sua roupagem. É de se notar (até onde nossa cegueira nos levará?) que não podemos prolongar indefinidamente um retorno à nossa realidade, ao que somos realmente, e fazer isso como um exercício de vida real, cuja falta é a responsável pela má vida que construímos. É vital que mudemos de rumo, para que nossa razão aprenda a distinguir o que é uma verdadeira ofensa de um inocente conjunto de palavras que se analisadas com critério, nada significam, e portanto, não haverá ofensa. Como se vê, o que necessitamos é crescer, e depositar os melindres na lixeira mais próxima.

Luiz Santantonio
santantonio26@gmail.com