NÃO SÃO GENTE, SÃO PEÇAS!

editorial-julho-19

Eis, amigo leitor, como os escravos eram tratados; como peças e não como seres humanos. A razão desse tratamento não se baseava tanto por serem escravos, mas principalmente por serem negros. Bem, a Idade Média já vai longe, e a idade das luzes iniciou-se há quatro longos séculos. E com isso chegamos no século vinte e um. A humanidade já viveu tempo suficiente para eliminar esse pesadelo que ainda diferencia brancos de negros? Sim ou não? Que caminho devemos seguir para alcançar a luz? O fato de seguir uma das centenas de religiões inventadas no mundo, com certeza de nada adiantou porque o preconceito, embora disfarçado, continua firme.
Dia desses, inesperadamente, surgiu para mim uma esperança; curiosa, mas enfim, uma esperança. ( por favor, amigo leitor, perdoe-me a ingenuidade, se ingenuidade parecer) . Estava eu assistindo a um jogo de futebol europeu e notei o grande número de jogadores negros em todos os times. Comprovei que a conduta dos jogadores brancos era de absoluta normalidade: abraçavam-se nas jogadas bonitas, sem o menor constrangimento. Porém, o que mais me chamou a atenção foi um gesto, no final da peleja, quando os jogadores do time vencedor se cumprimentavam: um jogador branco, loiro, correu para abraçar e beijar, sim, BEIJAR o companheiro negro na face; e o fez com a maior naturalidade! Não houve, por parte dos demais, qualquer reação. Analise leitor, minhas duas reações: de espanto e de alegria. Esse momento, ocorrido principalmente na Europa, levou-me à pergunta: Quem sabe se o futebol não será um caminho promissor para abrir definitivamente a estrada que unirá brancos e negros a se abraçarem como irmãos?
Quantas pessoas presentes teriam percebido esse gesto? Ignoro, porque tentar entender o ser humano é tarefa hercúlea. Bem, leitor, é melhor parar por aqui e aguardar, pacientemente, porque, como sabemos, é impossível obrigar o rio a correr mais depressa.

Luiz Santantonio
santantonio26@gmail.com