POR QUE É TÃO DIFÍCIL VIVER?

editorial-outubro-2018

Eis aí uma das mais difíceis perguntas a serem respondidas, simplesmente porque nossa ignorância cresce proporcionalmente às dificuldades que antepusemos em nosso caminho. Se procurarmos com atenção a primeira e mais óbvia mora conosco: a família; outrora designada orgulhosamente (ou seria mais certo dizer, hipocritamente) de “célula mater” da sociedade, é em nosso tempo não a morada da fraternidade, e sim onde imperam os descontentamentos, os ciúmes e os ódios. Se dúvidas houver basta-nos uma análise honesta com relação ao relacionamento entre os membros de famílias conhecidas (sem nos esquecer, claro, da nossa). As origens se perdem na escuridão dos tempos, situação essa, que nem as religiões conseguem debelar (muito pelo contrário, não raro, são até responsáveis pelas desavenças). Triste, não? Então, leitor amigo, diante desse quadro, temos que – sem apelar para um pessimismo radical – nos conformar que é mais do que normal que nosso planeta ainda esteja atravessando uma fase de muito atraso espiritual e que esse progresso do qual tanto nos orgulhamos funciona apenas nas conquistas tecnológicas, cuja utilidade serve apenas para satisfazer nossos desejos materiais, porém não consegue obscurecer nossa necessidade primeira, que é eminentemente espiritual. Se dúvidas há quanto a isso, basta perceber que nossa busca para alcançar a tão decantada felicidade se esvai, enferruja, apodrece, com a mesma rapidez das nossas fantasias. Essa simples verdade nos coloca diante de uma situação em que é preciso fazer algo para nos posicionar no lugar a que pertencemos: somos seres racionais, criados para viver num mundo de paz e fraternidade; jamais em conflitos eternos, não apenas com nossos semelhantes, mas principalmente em relação a nós mesmos. Cabe a cada um de nós uma parcela de responsabilidade; ao que tudo indica, porém, a maioria ou uma grande parte não se julga responsável por essa situação lastimável a que chegamos; é importante não adotar a conduta das avestruzes (esconder a cabeça num buraco) porque isso não nos livrará da parte que nos cabe; nada está perdido; todavia, passo a passo reencontraremos o caminho da verdade; afinal, o planeta é de todos!
Dei-lhe, amigo leitor, embora modestamente, um pouco de material para responder à pergunta inicial. Boa sorte!

Luiz Santantonio
santantonio26@gmail.com