FAÇA SUA VIDA VALER A PENA

editorial-junho-2018

Como? Analisando, passo a passo nossa chegada à senectude, ou seja, à velhice! Quando ela chega devemos analisar se estamos vivendo com proveito. Nos tempos modernos as definições de tempos passados tornaram-se obsoletas substituídas pelo chamado modernismo. Assim, o que significa envelhecer? Em que idade se pode afirmar que uma pessoa está velha? O próprio termo hoje em dia deve ser substituído pelo eufemismo “idoso”, ou “a melhor idade”, ou por qualquer outra bobagem destinada a ocultar a chegada da senilidade, como se envelhecer significasse uma perda da nossa condição de humanos.
O título diz tudo o que desejo enfatizar neste trabalho. Um esclarecimento, todavia, se faz necessário: A bem da verdade não consigo atinar como os idosos se deixaram envolver nessa mentira “moderna” de que são jovens e devem aproveitar a vida antes que seja tarde. Temos que encarar a idade como coisa séria, principalmente porque muito tempo se passou sem que o espírito da maioria (por falta de hábito) se dê conta, ignorando que ele (o tempo) não pede licença a ninguém. É necessário mudar o foco e nos inquirir se estamos utilizando a vida buscando alcançar o seu real objetivo (evoluir, amar nosso semelhante. (Note-se: sem qualquer conotação religiosa) buscar novas experiências, enfim, fazer a vida valer a pena!) O leitor, como é óbvio percebe que não se trata de um pensamento radical; não! Pode-se viver normalmente; o mundo está aí para ser desfrutado; devemos, porém, desfrutá-lo escalonadamente, com equilíbrio, obedecendo às diferentes épocas que atravessamos, honrando, em síntese o valor de nossa caminhada, que deve situar-se acima de modismos.
Nota-se, com tristeza, que a nossa “civilização” dissemina ideias que afirmam que a humanidade alcançou um desenvolvimento que supera o passado. Ora, progresso significa o quê: atraso, ignorância ilusão? Atualmente observo – e não me conformo – com as fantasias que hipnotizam certos idosos; comportam-se como crianças, e nos transmitem a impressão de que o espírito de Ponce de Leon os conduz à fonte da juventude; que a idade que lhes pesa nos ombros pode ser vencida com as ilusões disseminadas via marketing, uma das formas atuais de convencimento mais peçonhentas com as quais somos obrigados a conviver. Esse veneno é tão insidioso que passou a fazer parte integrante da vida moderna sem que nos déssemos conta de sua nefasta presença. Nós idosos (eu também faço parte do time) precisamos nos acautelar e repensar minuto a minuto se de fato estamos fazendo nossa parte na grande caminhada em direção à sabedoria.

Luiz Santantonio
santantonio26@gmail.com