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Setembro 2006 - SER OU NÃO SER (RELIGIOSO) EIS A QUESTÃO
   

Quantas vezes na nossa vida nos defrontamos com essa dúvida? Dentro da nossa cultura é indispensável ser filiado a uma religião para estar perto de Deus e ser querido por Ele; não ter religião é estar longe Dele.

No ano de 1948, um religioso fanático assassinou o grande líder indiano, Mohandas Gandhi, que ensinou – e praticou – a mais perfeita forma de viver em sociedade, a não-violência. Esse homem demonstrou incansavelmente, dia após dia, que para viver fraternalmente, não é indispensável pertencer a um movimento religioso. Pode-se viver dentro dos conceitos do bem sem essa obrigatoriedade. É bom não esquecer que  as religiões,  quase sem exceção - têm sido pródigas, mais em fomentar ódios e guerras do que a paz entre a humanidade.
 
Certa vez alguém perguntou a Gandhi qual era sua religião; ele respondeu com sua habitual simplicidade: - sou hindu, cristão, judeu e muçulmano. Deu a entender que sua alma convivia fraternalmente com todos, sem qualquer discriminação. Para ele não havia diferença nenhuma entre elas. A sua “religião” se assentava na simplicidade da regra de ouro: “fazer aos outros o que gostaria que fizessem a você”, simples assim. Não há nesse procedimento, em rigor, nenhum sentido religioso, apenas a aplicação, pura e simples, de uma conduta natural entre semelhantes. Convém observar, que certas pessoas ditas agnósticas ou até mesmo atéias, têm um procedimento mais sincero e fraterno do que outras que pertencem a um dos vários caminhos religiosos que pululam por aí. Filiar-se numa religião, apregoando-se bondade e compreensão, apenas pela filiação, pode significar alguma coisa como pode não significar nada. Quando olhamos o mundo com neutralidade, o que vemos? Ódio, egoísmo, maldade, desamor! E por mais que isso nos cause espanto (será que ainda existe algo que não o faça?) todos esses atos são praticados por pessoas  ligadas a algum caminho religioso. Por outro lado, não vemos, entre os povos que se digladiam, a presença nem de agnósticos nem de ateus. Será isso um alerta do quanto  nossa religiosidade está em baixa? Ou que nós a mantemos apenas por questões sociais, ou por mero pedantismo, para manter o “status”? Lembram-se os leitores quando se dizia: “por fora bela viola; por dentro pão bolorento?” Será que os que não crêem em nada – ou são espiritualmente sincréticos como Gandhi são mais puros do que os que professam religiões?  As religiões são mesmo necessárias para se viver bem? Não sei a resposta. Cabe a cada um de nós construir sua própria estrada, e viver a vida com mais proveito espiritual. Nada mudará enquanto a humanidade caminhar cegamente de encontro a tudo em que afirma acreditar. A decisão é sua, leitor: ser ou não ser...?, eis a questão!

Luiz Santantonio - magnolu@uol.com.br

 
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