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Agosto 2006 - OUVIRAM DO IPIRANGA ÀS MARGENS PLÁCIDAS... |
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O mês de julho foi testemunha de uma movimentação popular totalmente espontânea da população brasileira: o país, de norte a sul engalanou-se para torcer pela seleção de futebol; bandeiras e símbolos em quase todos os lares; ruas enfeitadas como nunca se viu. Tudo isso, cercado de muita alegria e esperança. Bem, o resultado vocês já sabem; e nem é por causa dele que esta crônica foi escrita. Nosso povo viveu por um tempo – pequeno, diga-se - motivado por uma alegria contagiante. Toda essa simultaneidade e sincronicidade do povo em prol do mesmo objetivo (afinal apenas uma disputa esportiva) reflete, no caso, a imagem de um povo patriótico? Melhor ainda: seria isso um verdadeiro fervor patriótico, ou apenas um prurido de patriotismo destinado unicamente a aproveitar as várias folgas no trabalho? POR QUE, - essa pergunta precisa ser feita ao povo brasileiro – a nação toda se uniu harmoniosa e fraternalmente em torno de um simples torneio futebolístico, e silenciou covardemente diante de todos esses descalabros políticos que a aflige? Roubalheira generalizada, cinismo, impunidade! Por que o povo não se uniu; por que não formou um cortejo quilométrico em direção ao centro da podridão moral que se denomina Brasília? E, quando o povo, pela bravura de seu patriotismo desalojasse todas as ratazanas de seu covil, todos nós teríamos razão de sobra para desfraldar bandeiras nas janelas de nossa casa. Estaríamos demonstrando que o nosso patriotismo havia sido conquistado bravamente no campo de batalha; não da batalha fratricida, mas da outra, formada pela coragem de um povo, e temperada pelo seu alto sentido de amor e respeito pela terra em que nasceu. Soubemos, espontaneamente, formar um bloco coeso em torno de uma insignificante disputa esportiva, e igualmente demonstrar nosso desagrado ante o péssimo desempenho de nossos atletas. Como se explica não ter despontado em nossa alma de patriotas o mesmo ardor para exigir a punição exemplar de todos os políticos corruptos? Por que o silêncio? Por que essa aceitação passiva? Difícil compreender? Nem tanto! Uma coisa é certa: o povo brasileiro é bom; bom demais, tolerante demais. Apesar do caos político em que chafurdamos, ele, o povo, bondoso e ingênuo, enfeita residências e ruas com o nosso querido lábaro (é como está no hino). Não quero, com isso, demonstrar que sou contra o fato de torcer por um representante esportivo brasileiro; não! Todavia, fico triste ao verificar o desperdício de brasilidade, de energia e de tempo em algo tão banal e corriqueiro. Gostaria também, e principalmente, que o povo brasileiro, a exemplo do que demonstrou em relação ao futebol demonstrasse seu patriotismo com igual fervor nos assuntos realmente importantes e exigir, sim, exigir, dos políticos (mais atenção ao votar!) competência e probidade absolutas. Luiz Santantonio - magnolu@uol.com.br |
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