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Julho 2006 - Velho, depois, idoso; depois, terceira idade; depois, a melhor idade. Qual será a próxima invenção?
   

A primeira designação é a natural, utilizada há milênios para designar pessoas idosas; as demais, meros eufemismos. Tudo isso para que? A simples adocicação das palavras significa que os idosos estão sendo mais respeitados? Não! Tanto é verdade que existe uma profusão de leis municipais, estaduais e federais, cuja finalidade é proteger e amparar o idoso. Por que, afinal, são necessárias leis para proteger o idoso, quando tanto a proteção quanto o respeito deveriam ser procedimentos naturais?
As leis de proteção - tanto para idosos como para as demais classes de pessoas vítimas de preconceitos (afro-brasileiros, homossexuais etc) somente foram criadas porque a sociedade, embora afirme crer em Deus e, portanto, na lei básica que é a fraternidade, nem crê verdadeiramente em Deus, e claro, nem aplica a lei básica,... e ponto final! A melancólica verdade, portanto, é simples: onde não há amor, nenhuma lei funciona; absolutamente nenhuma! Rasguem-se pois, as leis, e restaure-se o respeito e o amor, únicos meios de se viver bem e em paz com todos, idosos ou não.

Há, todavia, um segundo aspecto que não pode ser esquecido, porque diz respeito à integração do idoso como pessoa. A pergunta é: como as pessoas da "melhor idade" vêm se comportando na atualidade? Hoje em dia, tendo em vista o bombardeio dos meios de comunicação, elas se rebelam contra a natureza, e - quais crianças teimosas - "se recusam a envelhecer", como se isso fosse possível. Tanto é verdade que "mergulharam de cabeça" numa aura de artificialidade, insistindo, temerariamente, "que são jovens", e, portanto podem e devem viver como viviam em tempos passados, quando eram de fato jovens. Por que o temor de envelhecer, se isso é uma coisa absolutamente natural? E por que querer viver física e espiritualmente num campo que não mais lhes pertence? Por que ao invés de viver num mundo irreal, não procuram, a par do aumento da idade, substituir as ilusões pela conquista da sabedoria? Ela, a sabedoria, mais do que "os sonhos de uma noite de verão", deveria ser o apanágio de todo idoso. Sabedoria é maturidade; e maturidade gera respeito; esse é o exemplo a ser dado. Essa conduta, no entanto, não impede que o idoso usufrua a vida, preferivelmente dentro de um clima de moderação e equilíbrio. Um ponto a destacar, por fim, é que a própria conduta do idoso, hoje, dificulta um pouco o seu relacionamento com a sociedade devido ao comportamento um tanto arrogante demonstrado por alguns menos preparados emocionalmente (como se todos os que ainda não "completaram a maioridade" devessem estender-lhes o tapete vermelho). O segredo do bem viver exige pouco: simplicidade e humildade, sentimentos criados e alimentados bem no fundo da alma, que é a morada da sabedoria!

Luiz Santantonio

 
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