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Junho 2006 - O amigo é como uma bengala que se quebra
   

... todas às vezes que nela nos apoiamos com força (quer dizer que sempre que precisarmos de um amigo, é natural que ele tire o corpo fora?). Amigos, amigos, negócios à parte. Terrível contradição: se a pessoa é amiga, deve ser confi ável em tudo; se não for, não pode ser considerada amiga. Os italianos, jocosamente afi rmam: “passato il pericolo, gabato il santo”, ou seja, passado o perigo, o santo (o amigo) é escarnecido, ou seja, deixado de lado. Será
mesmo verdade que somente nos lembramos dos amigos quando precisamos deles? É assim que interpretamos o conceito da amizade? Por que o relacionamento entre duas pessoas deve se basear apenas na satisfação momentânea de necessidades e não em sentimentos mais nobres?
Nós, seres humanos, que nos gabamos tanto das nossas conquistas nos mais diferentes campos da vida, (fato inegável) por que não nos perguntamos onde reside – dentro de todo esse O amigo é como uma bengala que se quebra avanço -, nossa pequenez em relação ao valor da verdadeira amizade? Será que precisamos procurar entre os animais irracionais o valor de uma amizade leal? Quem não conhece alguma história do amor de um cão pelo seu dono? Um cão é capaz dos maiores sacrifícios – até mesmo da própria vida – para ajudar seu dono a vencer qualquer situação. E nós, que fazemos parte da “nobreza da criação”, como agimos em relação àqueles que rotulamos de amigo? Raramente nossa dedicação é motivada exclusivamente na amizade pura e simples; quase sempre há por trás, ou algum
interesse, ou então, um desfi lar de julgamentos quanto à maneira como vive e se comporta. Se “A” é meu amigo, por que devo procurar nele falhas de conduta, (baseado na minha maneira de ver, que pode ser diferente da dele) e não me esmerar na busca de suas qualidades? O verdadeiro amigo compreende tudo e perdoa tudo; tem força para superar todos os obstáculos que impedem o fl uxo natural do entendimento mútuo. Permita-me perguntar: serei apenas mais um sonhador? Onde, argumentarão vocês, se encontra essa raridade? A maioria das pessoas está acostumada com o fato de que a existência desse exemplar perfeito de amigo é pura fi cção, e, portanto, a defi nição mais aceita é aquela que abre a nossa crônica: a da bengala que se quebra. Nada de pessimismo, por favor, porque
com um pouco de boa vontade e de entendimento sadio, essa situação poderá ser direcionada corretamente. Há uma máxima do escritor Saint Exupéry que resume bem como deve ser a vida dos amigos verdadeiros: “A experiência nos mostra que amar não é olhar um para o outro, mas olhar juntos na mesma direção”.

Luiz Santantonio - magnolu@uol.com.br

 
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