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Junho 2010 - Céu sem balões... Vida sem inocência! |
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Junho, mês das festas juninas, dos fogos, ...e dos balões. Essa é uma recordação saudosista; sim, porque atualmente já não reflete o clima do passado. As festas juninas – como quase tudo – perderam a simplicidade e a pureza original. Nesta época, invariavelmente, retorno ao meu tempo de criança, quando, fascinado, acompanhava a trajetória dos balões nas noites frias de São Paulo. O espetáculo, pura magia para mim, mesclava balões com estrelas e me elevava a um mundo de luz, situado, como se dizia, “no céu”. Quando chegava maio, eu contava os dias para o início de junho, o mês mais esperado, porque com ele chegava a época em que me transportava para o universo do sonho, distante do mundo real. Desde a mais tenra idade, eu me encantava com os balões. Não sei por que aqueles objetos iluminados, ascendendo em direção ao infinito, produziam em mim tamanho encantamento. No meu tempo de criança vivia-se com tranquilidade; a maioria das residências era térrea, e os meus amigos balões não representavam perigo; vivia-se uma infância feliz, sem ambições desmedidas, rodeados de coisas simples, ingênuas até. A pobreza se resolvia pelo trabalho, sem queixas e sem revoltas, e não por assaltos e crimes. Quanto a mim, tudo o que desejava era apreciar os balões, invejando-os no seu caminho para o céu, impávidos em busca de um mundo cheio de luz e beleza, junto ao Criador. Ó, que inveja sentia dessas maravilhosas criaturas – sim, eu os chamava de criaturas – tão livres, que conseguiam alçar-se ao infinito em busca de liberdade, como se fossem estranhos ao mundo aqui embaixo. Como os invejava, como desejava ser também livre para viver naquele mundo misterioso. O balão era o meio pelo qual meu espírito, ainda inocente, construía seus sonhos de infância. Ao acompanhar-lhes a subida meu espírito viajava ao seu lado para aquela região mística e impenetrável, atapetada por milhões de luzes. O prazer em segui-los era tão real que não havia argumento racional que conseguisse eliminá-los da mente, porque se tratava, acima de tudo, da posse de algo imaterial, inatingível pelos que não faziam parte desse mundo de quimeras. Infelizmente o gigantismo das grandes metrópoles também nos privou desse sonho inocente. Hoje é proibido soltar balões, tendo em vista o perigo que representam para a cidade. Quando chega junho, olho consternado e saudoso para o céu, e me entristeço, porque meus queridos amigos se foram para sempre, principalmente porque no mundo moderno não há mais lugar nem para a inocência e nem para os balões; nada que nos proporcione momentos de devaneio e de sonho. E por falar em sonhar, (no meu caso, de olhos abertos) acompanhemos esta preciosidade do escritor Gregorio Marañon : |
Aumente e diminua as letras: |