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Maio 2010 - Carta à minha querida mãe |
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Mãe: Por coincidência o dia das mães neste ano cai bem na véspera de sua partida. Todos os anos nesta época costumo escrever algum tipo de homenagem às mães; hoje vou dedicá-la especialmente a você: abri o baú de lembranças, e aqui estou. Dentre os seus cinco filhos, fui eu que lhe deu mais trabalho. Eu era danado, lembra-se? E quantas vezes – com justa razão – perdeu a paciência comigo. Raro era o dia em que não esquentava o meu bumbum com boas palmadas. ( precisamos ter cuidado, mãe, porque as de hoje (as modernas) ficam horrorizadas ao saber que você me “sapecava” algumas palmadas, e preferem educar os filhos concedendo-lhes vantagens: ir ao cinema, ao shopping, pagar um curso qualquer, enfim, adotou-se o método de punir premiando – uma variável do “é proibido proibir”). Lembra-se de quando lá pelos meus 15 anos, fugi de casa? Que trabalhão eu dei, não? E quanto chorou ao me perguntar se eu havia fugido porque não era feliz. E o que poderia dizer? Tudo não passou de um momento de irracionalidade juvenil passageira – graças a Deus -. Dali para diante redobrou os cuidados comigo; estava sempre ao meu lado, me orientando, me ajudando, enfim, sempre temerosa de que eu voltasse a repetir a façanha. Naquele tempo eu deveria pedir-lhe perdão e agradecer a Deus por ter nascido ao lado de uma criatura como você. Eu, no entanto, era xucro, indócil, incapaz de acariciá-la, de lhe dizer palavras de amor e agradecimento. Como isso me dói, hoje. E assim, mãe, o tempo passou; eu e meus irmãos nos tornamos adultos e seguimos nossa vida; todos cidadãos corretos (eu idem). Nunca me esqueço do que nos dizia quando enfrentávamos alguma dificuldade: “vá em frente!” Eram palavras ditadas a um só tempo, pelo coração e pela sua têmpera de guerreira. Luiz Santantonio |
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