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Maio 2006 - Mães são como jóias; existem as falsas e as verdadeiras
   

NOITE ESCURA POUCA VISIBILIDADE. Um vulto anda furtivamente e sem destino, carregando algo embrulhado num plástico preto. Ao se aproximar de um prédio onde se acha depositado o lixo à espera de ser recolhido, deposita o pacote, e se afasta. O “lixo” contido no pacote é uma criança recém-nascida, que horas depois é encontrada pelos garis e milagrosamente salva ainda com vida.
 
Numa das inúmeras maternidades da cidade, mais uma criança vem ao mundo.
A mãe, feliz e consciente da responsabilidade que assumiu ao gerar o filho abraça-o e promete a si mesma que dedicará sua vida para cumprir o papel que escolheu, o de ser mãe.
Duas mulheres diante do mesmo milagre da natureza: a geração de um filho! Para uma delas, uma benção; para a outra, um estorvo, uma inconveniência, algo (não uma criança, apenas “algo”) que deve ser descartado rapidamente. Devem ambas receber o título de mãe? O que é ser mãe, afinal? A formação de um feto - ninguém ignora – requer apenas a união sexual entre um homem e uma mulher; nada mais! Portanto, (e isso dá o que pensar nesta época em que a liberdade sexual, pelo desmembramento da vida familiar, pode facilmente converter-se em libertinagem) a geração de um novo ser, em certos casos, pode ser facilmente caracterizada apenas como o resultado de um ato praticado de forma totalmente inconseqüente, e não como um ato de amor.

Essas duas colocações nos remetem fatalmente a uma pergunta crucial: Para receber o título de mãe, dentro de uma definição espiritualmente mais elevada, basta gerar uma criança? Não, leitoras, sinceramente, não! No nosso entender somente poderemos chamar de mãe verdadeira, aquela que além de ter gerado o filho, luta até mesmo com o mundo todo se necessário for para proteger a criatura que gerou. Esse é o retrato da verdadeira mãe.
 
Não é nossa intenção, todavia, nos exemplos acima, exaltar a mãe que ama e crucificar a que joga seu filho no lixo. À primeira pode-se conferir o título de mãe, designação com a qual todos concordam. Que fazer com a outra? Embora nosso primeiro impulso seja o de atirá-la aos lobos, nós que tão orgulhosamente nos dizemos cristãos, temos que proceder como tais. Como? Cabem aqui dois caminhos: primeiro o perdão; segundo: preservação da vida familiar, alimentada pelo ensinamento e pela orientação, alicerçados, basicamente, na paciência e no exemplo. 
 
Felizmente, (ainda) a maioria das queridas mamães é constituída por criaturas maravilhosas, e graças a essa heróica maioria (ou minoria, não sei) é que o mundo ainda sobrevive aos solavancos dessa modernidade irracional que oblitera a visão de quase tudo que deve ser preservado e amado.
Feliz Dia das Mães!

Luiz Santantonio - magnolu@uol.com.br

 
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