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Fevereiro 2010 - Progresso: A grande armadilha
   

Infelizmente, hoje em dia a palavra progresso está ligada, indissoluvelmente, ao aumento da degradação ambiental. A humanidade vai em busca dos bens materiais oferecidos pelo progresso, de uma forma que beira a insanidade. Basta ir a um shopping para comprovar; é um corre-corre desenfreado em busca de novidades, (úteis e inúteis) sem medir o custo tanto para o bolso quanto para o bem-estar geral. Todos reclamam (e temem) o que está por vir caso não se encontre um meio de frear esse consumo compulsivo no qual nos metemos. Os automóveis poluem; o trânsito está insuportável?; o ar que respiramos é nocivo? Nem por isso deixamos de ambicionar o carro do ano; nem por isso deixamos de entupir o mundo de lixo. Agora a grande pergunta: como nos livraremos desse modelo de progresso, tendo conhecimento, por exemplo, que as fábricas de carros estão exultantes, porque o ano que passou foi excepcional; nunca se vendeu tanto. Felizes os que fabricam; feliz o governo porque amealha milhões em impostos; feliz é o empregado porque o progresso da fábrica o mantém no emprego; feliz é o consumidor que não precisa ser milionário para ter seu próprio carro, sua parafernália eletrônica, seu alimento ao alcance da mão etc. etc. A vida moderna, em que pese todo o sacrifício requerido, se apresenta tão favorável ao consumo que não acreditamos que a situação do nosso planeta  seja a que tanto se propala. Vai faltar água? Conversa. O efeito estufa, o que é? A grande verdade, infelizmente, é que somos todos culpados; e a natureza, devastada pela nossa loucura, já está começando a cobrar o que lhe é devido. O pior, - e isso é o que mais entristece – que todos, inocentes e culpados, terão que pagar a fatura. Comprovar a alienação resultante do que se convencionou genericamente taxar de progresso é simples; difícil (ou impossível) é achar espaço suficiente para apontar caso por caso. 
 O progresso permitiu que o homem se fizesse dono do mundo, da natureza, do espaço; aperfeiçoou, simultânea e inconscientemente, sua capacidade de se autodestruir. Deu-lhe asas materiais, mas não o ensinou a voar interiormente. Aprendeu a escapar do mundo terrestre e sulcar o cosmos com suas naves espaciais, mas não conseguiu transcender sua angústia, seus problemas interiores, nem tampouco encontrar a saída do círculo vicioso que os problemas do progresso lhe acarretam.
 
Luiz Santantonio
santantonio26@gmail.com

 
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