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Janeiro 2010 - Ano novo, vida nova
   

2010 já está em curso. A festa, os fogos e o borbulhar do champanhe ficaram para trás; só restaram as promessas a ser cumpridas. É destas que quero falar. Você, amigo leitor, como eu e, com certeza, como a maioria da população, escolhe o começo do ano para fazer promessas. “Neste ano eu prometo, blá,blá,blá...”  O dia primeiro do ano, se pensarmos bem, é apenas o dia seguinte ao dia 31 de dezembro. Que significado misterioso ele exerce sobre nós, se é apenas, repito, o dia seguinte do ano que terminou? É, como tantas, uma invencionice criada para encobrir nossa tibieza de propósitos e também nossa impostura, sob o pretexto de que iremos realmente cumprir o que prometemos. Sabemos, pela experiência, que o grande sonho de todos nós, em síntese, se resume em melhorar a vida interior: ser mais pacientes, mais bondosos, mais humanos. O curioso é que pretendemos colher frutos sem ter ainda deitado as sementes na terra. Quem ignora que não se colhe nada sem plantar e logicamente sem a consequente germinação das sementes? Como pode uma pessoa modificar sua maneira de sentir a vida de um dia para outro? É ou não é pura fantasia, uma forma simplória de enganar a nós mesmos?  Claro que é! Gostaria de saber que tipo de satisfação a criatura sente ao inventar essa história de “ano nova vida nova”, sem se deter antes em desenhar o mapa dessa vida nova sem planejar, sem lutar, sem esperar...Nós sabemos que nada muda apenas porque desejamos ou sonhamos que mude. Seria natural esperar que o ano novo nos proporcionasse vida nova se tivéssemos realizado no ano que termina um trabalho paciente e persistente em direção ao objetivo da mudança.
Uma coisa é certa: não há quem não necessite mudar. Por mais bens materiais que se consiga, sempre falta alguma coisa que somos incapazes de definir, pela simples razão de não termos idéia do que seja.  O que nos impede de viver bem, (se de fato queremos a verdade) é o nosso desconhecimento do lado a ser atendido. São do filósofo Sócrates estas palavras inspiradoras: Nosce te ipsum – “Conhece-te a ti mesmo”. Nossa vida, porém, segue rumo oposto: somos treinados para resolver todos os problemas, exceto o mais importante: conhecer a nós mesmos! É dentro desse mundo – que nos é desconhecido - que se movimentam as correntes que embaçam nossa visão e dificultam a caminhada. É difícil encarar a verdade, por isso todas as promessas se desfazem com a mesma rapidez com que foram feitas. Terminam laconicamente, tristemente... Vamos então ser sensatos - e práticos - e programar nossa vida para o futuro, em duas etapas: 1) Iniciar o trabalho de modificação a partir de agora, e não “empurrá-lo” para o ano seguinte, como é de nosso hábito; 2) Compreender que nada mudará se não procurarmos as falhas dentro de nós. Quando falo em falhas, espero que o leitor não se apavore, porque em nossa civilização essa palavra quase sempre sugere que somos maus, que cometemos pecados, enfim, todo o cuidado é pouco para não adotar um enfoque pessimista, que pode comprometer nosso trabalho, desviando-o do seu objetivo. Então que tal dar um fim nas promessas, cumprindo-as?

Luiz Santantonio
santantonio26@gmail.com

 
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