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Dezembro 2009 - Natal o ano todo: sonho ou realidade?
   

1 – Sempre que chega a época natalina é difícil resistir ao apelo que nos fazem para escrever algo a respeito, apesar de saber que se trata de tema recorrente, demonstrando a princípio que nada mais precisa ser dito. Não é bem assim, como veremos. Antigamente escrever sobre o Natal era tarefa fácil, pois a base da narrativa não variava: o menino Jesus na manjedoura cercado pelos reis magos e pelas vaquinhas.
Outrora era o caráter espiritual da data que prevalecia; hoje se concentra nos adereços coloridos, na profusão de papais-noéis nas mais diferentes poses, nos pisca-piscas, na comida e na bebida. De Jesus, que é o dono da festa, ninguém se lembra.
2 – Todos conhecem as histórias clássicas de Natal, em que se dava ênfase a uma ou mais crianças maltrapilhas e famintas, tiritando de frio, sob a inclemência do tempo, geralmente com os olhos colados à vitrine de um restaurante ou doçaria, e quase sempre ignorados pelos frequentadores, representados por figuras bem alimentadas, usando roupas quentes e acolhedoras. Por outro lado, para justificar a importância da data, via de regra surgia um personagem movido pelo amor cristão que resolvia o problema dos necessitados, oferecendo-lhes roupa, alimento, e às vezes até abrigo, porque era “noite de Natal”. Essa noite contém (ontem mais que hoje) um ingrediente mágico que move o coração a praticar a caridade cristã.
3 - O Natal sempre simbolizou um momento especial na vida dos cristãos. Esses gestos de fraternidade, tão raros no dia a dia, representam um ponto de honra para a comunidade dita cristã, sem que se cogite se são sinceros ou não. Tanto é verdade que no dia seguinte (26) a vida continua sua rotina normal.  O mundo moderno é prático: Jesus já nasceu; nós cumprimos o que se esperava de nós; então podemos retirar o disfarce e a maquiagem. A triste verdade é que o nosso sentido de cristianismo escorre pelos dedos, como a água. Em nossos dias o sentido espiritual da data já não tem significado. (Será que ainda existem pessoas que saibam o que significa sentido espiritual?).
Natal o ano todo: que história é essa? Parece mais uma utopia que algo palpável. Raciocinemos: Quem crê em Jesus afirma que ele está sempre presente entre nós. Se assim é, porque seu alto sentido de caridade deve ser lembrado apenas num único dia do ano e esquecido nos demais? Para os que se dizem cristãos, todos os dias devem ser vividos com o mesmo espírito. Ao que parece é mais cômodo ser cristão apenas por um dia (dá menos trabalho). Esse lamentável estado de coisas me faz conclamar todos os leitores, cristãos ou não, a comemorar o Natal todos os dias do ano. É evidente que essa comemoração não significaria comer, beber e presentear; a comemoração que realmente importa é a de viver sob o signo da fraternidade, de janeiro a dezembro, ou seja, todos os dias do ano. Esse seria a meu ver um modesto e inovador primeiro passo para a humanidade enveredar por um novo caminho; passo pequeno, singelo, porém, portador do impulso inicial para a unificação espiritual do mundo. Simplista e inocente demais? Realizável? Utópico?

Luiz Santantonio
santantonio26@gmail.com

 
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