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Agosto - 2009 - “Escrever certo por linhas tortas”: a Parada Gay
   

A vida moderna nos apresenta novidades a cada dia que passa. A humanidade, como tudo o que foi criado, sofre um processo constante de evolução. Nada é estático, pois, o que para de crescer e se desenvolver, fatalmente desaparece. Assim é que atualmente, em várias partes do mundo, criou-se um dia para o que se convencionou denominar de “Parada Gay”, cuja finalidade é conscientizar a sociedade a eliminar o preconceito contra os homossexuais.
 Como afirmei no início, a criação é avessa ao estático; ela foi criada para crescer permanentemente, e quem despreza esse conceito terá que contentar-se em ficar à margem do progresso. Isso, em todos os sentidos; e o que diz respeito à aceitação das pessoas que, no uso de sua liberdade individual, (também conhecida como livre-arbítrio) escolhem por razões que desconhecemos (e por isso mesmo devemos respeitar) um caminho diferente do que rotulamos por normalidade, é parte integrante do progresso geral. Infelizmente, esses nossos irmãos – e não somos todos parte da mesma família? – têm sido vítimas de um tenaz preconceito, principalmente por parte dos dirigentes da maioria das religiões constituídas, que permanecem de olhos vendados diante dessa (e de muitas outras mais) realidade social, que, gostem ou não, aprovem ou não, veio para ficar.
Agora que sabem a minha posição ante a homossexualidade  gostaria de esclarecer que estive presente na última parada, realizada em junho. Não fui, como a maioria dos heteros, apreciar a parada, como se fosse a um zoológico, ou a um circo de aberrações. Fui com o devido respeito, para observar se o nível do movimento correspondia à afirmação do presidente da associação organizadora: “A parada não é um evento, é uma manifestação”. O objetivo é a conquista do respeito e a eliminação do preconceito de que são vitimas. Lamentavelmente fiquei decepcionado, pois, o que deveria ser algo marcante, com discursos impactantes, com a presença de gays com funções importantes na sociedade (até mesmo religiosos, porque há muitos ainda escondidos no armário, gays, ou não), com listas de assinaturas dos presentes, enfim, algo como uma pequena, mas contundente revolução, que mexesse com os brios da nossa paquidérmica sociedade. Não vi nada disso; ao contrário, tive que me contentar com um carnaval de mau gosto, que não trouxe nada de mais para o movimento. Trouxe, sim, motivos de galhofa, de riso fácil.  É meu desejo – como de todo o cidadão que se preza – ver eliminado esse atraso; para isso os gays devem se organizar melhor e mais seriamente; só assim conseguirão alcançar aquilo que lhes é devido como seres humanos.
À primeira vista parece que os gays estão imitando a frase do título, ou seja: Estão escrevendo certo por linhas tortas, o que não é verdade.  Se o clima da parada persistir no mesmo diapasão, ela se converterá em mais um evento popular, não condizente com a transcendência do sentimento que deve ser natural entre semelhantes: igualdade sem preconceito! O importante é escrever certo por linhas certas!

Luiz Santantonio
santantonio26@gmail.com

 
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