Revistas Em Condomínios
Abril - 2009 - O prazer de destruir
   

O ser humano, por se tratar de uma criatura racional, deveria espelhar essa condição em todos os seus atos. Lamentavelmente, no entanto, em muitas situações adota condutas altamente contraditórias – insanas, até – que nos faz imaginar que sua racionalidade não lhe serve para nada. Permitam-me uma pequena digressão antes de voltar ao assunto.
Dia desses assisti a um documentário de origem alemã, que mostrava as belezas de várias praças públicas em países europeus. Encantei-me com todas, porém, a que me chamou mais atenção foi uma de Viena, na Áustria. Beleza, limpeza, harmonia, formam a base desse local. Ali o cidadão e sua família podem passear em paz, apreciar a exuberância da paisagem, e descansar em seus bancos sempre limpos e confortáveis;  enfim, desfrutar o bem público com prazer. Ao mesmo tempo em que me deleito (e invejo) com as imagens dessa praça, volto o meu pensamento para as praças públicas de nossa cidade. A comparação é chocante: lá, beleza, harmonia, limpeza, respeito pelo bem público; aqui, feiúra, sujeira, desrespeito. Em nossa cidade o que se vê causa repulsa: orelhões inúteis porque o telefone é constantemente furtado; a sanha destruidora elimina lixeiras, destrói banheiros públicos (quando os há), arranca árvores recém-plantadas, etc. Se esses locais fossem utilizados pelas hordas selvagens de Átila, o huno, a destruição seria encarada como normal; afinal tratava-se de um povo bárbaro. No bairro onde resido (não conheço aqui nenhum representante dos hunos) o espetáculo é repetido diariamente; e nos fins de semana,o que se vê, é semelhante a uma praça de guerra, depois da passagem do inimigo. Às segundas-feiras é impossível transitar sem tropeçar no monturo acumulado entre o sábado e o domingo, além, é óbvio, de mais um capítulo de destruição.  São bancos quebrados, garrafas vazias de todos os tipos, copos, papéis, restos de alimentos, e muito, muito mais.  A pergunta que rodopia na minha cabeça sem encontrar nenhuma resposta é esta: É normal o desejo de destruir o que nos prejudica, mas como justificar a destruição sistemática do que é feito para nos trazer conforto e bem-estar?  Há várias respostas, porém, a mais aceitável é até simples: FALTA DE EDUCAÇÃO!  E quem tem o dever de educar? A família!  Tudo deve começar no recesso do lar, pois é ali que o indivíduo deve receber o encaminhamento adequado para se tornar um bom cidadão. Quando a família desmorona, o mundo também desmorona. Sem que a família se empenhe, nada acontece.  O que se verifica é a falta de estrutura requerida para educar. É fácil e “moderno” alegar falta de tempo, excesso de trabalho e quejandos. Educação é palavra praticamente desconhecida em nosso tempo. E um dos recursos que os pais de hoje se utilizam para encobrir sua omissão é “empurrar” o dever à escola; esta não pode nem ensinar, nem exigir do aluno algo que ele desconhece e não faz parte de seu viver. Prejudicada a formação da cidadania, elemento chave da harmonia de um povo, o tecido social é afetado nas suas raízes, com a proliferação de pessoas totalmente desligadas de todos os valores, chegando ao extremo de ignorar  até mesmo o que é feito para seu bem.

Luiz Santantonio
Santantonio26@gmail.com

 
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