O ser humano, por se tratar de uma criatura racional, deveria espelhar essa condição em todos os seus atos. Lamentavelmente, no entanto, em muitas situações adota condutas altamente contraditórias – insanas, até – que nos faz imaginar que sua racionalidade não lhe serve para nada. Permitam-me uma pequena digressão antes de voltar ao assunto.
Dia desses assisti a um documentário de origem alemã, que mostrava as belezas de várias praças públicas em países europeus. Encantei-me com todas, porém, a que me chamou mais atenção foi uma de Viena, na Áustria. Beleza, limpeza, harmonia, formam a base desse local. Ali o cidadão e sua família podem passear em paz, apreciar a exuberância da paisagem, e descansar em seus bancos sempre limpos e confortáveis; enfim, desfrutar o bem público com prazer. Ao mesmo tempo em que me deleito (e invejo) com as imagens dessa praça, volto o meu pensamento para as praças públicas de nossa cidade. A comparação é chocante: lá, beleza, harmonia, limpeza, respeito pelo bem público; aqui, feiúra, sujeira, desrespeito. Em nossa cidade o que se vê causa repulsa: orelhões inúteis porque o telefone é constantemente furtado; a sanha destruidora elimina lixeiras, destrói banheiros públicos (quando os há), arranca árvores recém-plantadas, etc. Se esses locais fossem utilizados pelas hordas selvagens de Átila, o huno, a destruição seria encarada como normal; afinal tratava-se de um povo bárbaro. No bairro onde resido (não conheço aqui nenhum representante dos hunos) o espetáculo é repetido diariamente; e nos fins de semana,o que se vê, é semelhante a uma praça de guerra, depois da passagem do inimigo. Às segundas-feiras é impossível transitar sem tropeçar no monturo acumulado entre o sábado e o domingo, além, é óbvio, de mais um capítulo de destruição. São bancos quebrados, garrafas vazias de todos os tipos, copos, papéis, restos de alimentos, e muito, muito mais. A pergunta que rodopia na minha cabeça sem encontrar nenhuma resposta é esta: É normal o desejo de destruir o que nos prejudica, mas como justificar a destruição sistemática do que é feito para nos trazer conforto e bem-estar? Há várias respostas, porém, a mais aceitável é até simples: FALTA DE EDUCAÇÃO! E quem tem o dever de educar? A família! Tudo deve começar no recesso do lar, pois é ali que o indivíduo deve receber o encaminhamento adequado para se tornar um bom cidadão. Quando a família desmorona, o mundo também desmorona. Sem que a família se empenhe, nada acontece. O que se verifica é a falta de estrutura requerida para educar. É fácil e “moderno” alegar falta de tempo, excesso de trabalho e quejandos. Educação é palavra praticamente desconhecida em nosso tempo. E um dos recursos que os pais de hoje se utilizam para encobrir sua omissão é “empurrar” o dever à escola; esta não pode nem ensinar, nem exigir do aluno algo que ele desconhece e não faz parte de seu viver. Prejudicada a formação da cidadania, elemento chave da harmonia de um povo, o tecido social é afetado nas suas raízes, com a proliferação de pessoas totalmente desligadas de todos os valores, chegando ao extremo de ignorar até mesmo o que é feito para seu bem.
Luiz Santantonio
Santantonio26@gmail.com