O barco da humanidade, bem ou mal, conseguiu chegar ao século vinte e um da era cristã. Por que a denominamos era cristã? Porque, para aqueles que crêem, foi há dois milênios que Jesus Cristo esteve entre nós. Desde então, ano após ano, na época da Páscoa, comemora-se no mundo cristão o que se convencionou chamar de ressurreição de Estamos na Páscoa; então o que vamos comemorar?
Jesus Cristo. Durante a semana que precede o domingo de Páscoa as igrejas apresentam em vários rituais os fatos que teriam precedido a Sua crucifi cação e ressurreição. É, como se vê, um período que representa um dos fatos mais marcantes da história religiosa da humanidade, que exigiria dos que crêem, aparentemente eles representam a maioria da população) uma postura de muito respeito, levando-se em conta o que Ele nos legou como ensinamento e exemplo de vida.
Depois desse modesto preâmbulo, vamos ao ponto nevrálgico desta crônica, ou seja, à forma como a nossa civilização (que se diz religiosa) tem comemorado esse dia. Afi nal, o que estamos comemorando? O dia da ressurreição daquele a quem muitos consideram o próprio Deus encarnado, ou o dia do ovo de chocolate?
Continuemos nossa análise, solicitando aos leitores, primeiramente, que nos perdoem por essa comparação de mau gosto. Todavia, se prestarmos atenção à produção de ovos de chocolate (consomem-se milhares de toneladas a cada ano, o que deixa a indústria chocolateira cada vez mais feliz) concluiremos que a festa da Páscoa, assim como o Natal, já não têm nenhum sentido espiritual. Ano após ano os canais de televisão reprisam os surrados fi lmes sobre “vida de Jesus”. Neles, pouco ou nada se vê daquilo que efetivamente foi Sua missão no mundo, ou seja, trazer uma mensagem de fraternidade, de perdão e de amor. Esse quadro negativo e materialista cresce ano após ano. Dia virá – se é que ainda não veio – em que as gerações mais novas – por culpa da nossa, que faz questão
de ser religiosa apenas de fachada – associarão o domingo de Páscoa, não a Jesus, mas sim, aos ovos de chocolate, porque o verdadeiro sentido da Páscoa estará totalmente apagado das tradições da nossa civilização. Essa conduta lamentável tem uma razão clara: as pessoas estão afastadas da verdadeira espiritualidade e perigosamente próximas de um materialismo quase patológico, que as empurram cada vez mais para o esquecimento de sua origem espiritual.
Em tempo: Não há erro em degustar um bom ovo de chocolate, desde que não esqueçamos o que estamos comemorando! Boa Páscoa para todos!
Luiz Santantonio - magnolu@uol.com.br