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Março 2009 - Amigos verdadeiros existem; quem são eles?
   

Quando se fala em amigos verdadeiros, a maior parte das pessoas torce o nariz, incrédula, e não raro parte para a dúvida. É triste essa constatação, porém, não deixa de ser um fato aceito por quase toda a gente. Quem acredita que existem amigos verdadeiros, coitado, é um ingênuo, um nefilibata (hora do dicionário).
Se for verdade o que afirmei no título, quem são esses tais amigos verdadeiros? Vou apontar três tipos não humanos, o que à primeira vista poderia até surpreender. Que raio de amigos verdadeiros são esses, afinal? Os dois primeiros são produtos da tecnologia para nos servir. Li, numa revista japonesa, um caso interessante: um cidadão adquiriu uma boneca inflável, cópia perfeita de uma mulher. O tal cidadão vive com ela como se fosse uma mulher de verdade; ao chegar do trabalho, toma banho numa banheira especial acompanhado da "esposa"; à noite, coloca-a na cama ao seu lado e ao que consta, age como se ela fosse real em todos os sentidos. Inquirido sobre essa aparente extravagância (desculpem o "aparente") ele afirma que escolheu esse caminho porque no seu entender, é quase "impossível viver com uma mulher de carne e osso e não ser enganado". Muitas pessoas estão se valendo de robôs para viver dentro de casa, não somente como criados, mas também como companheiros, e por que não, amigos! Tais escolhas são sintomas da falta de espiritualidade de nossa época, e tendem, com o tempo, (espero) a ser superadas pelo simples uso da Razão. O terceiro tipo – este de seres vivos – é composto por animais de estimação, principalmente cães. Esses animais possuem características quase espirituais, especialmente no convívio com humanos. A afinidade do homem com os animais não é novidade, tanto que um famoso filósofo declarou: "quanto mais conheço os homens, mais amo os animais". Outro, mais descrente afirmou que "o homem é o lobo do próprio homem". O que se percebe, não sem muita tristeza, é que os animais, e não os homens, são nossos verdadeiros amigos. É comum, por exemplo, pessoas depressivas ou solitárias, geralmente por sugestão médica, adotarem um cão como amigo e companheiro. E todas as que tomam esse rumo sentem-se bem e passam a viver felizes e tranquilas. A pergunta inevitável é a seguinte: por que não aconselhar a pessoa doente ou solitária a valer-se do auxílio de semelhante, ao invés de recorrer a um animal irracional? A razão é simples: As pessoas (por não merecerem confiança), tanto podem ser úteis como prejudiciais, os animais, ao contrário, nunca prejudicam as pessoas com que vivem; neles pode-se confiar até mesmo a própria vida, sem perigo nem de covardia, nem de falta de amor. Isso mesmo: os animais (classificados como irracionais – com o que não concordo) têm a capacidade de amar. E seu amor é incondicional: eles não escolhem a quem amar; amam por amar, indiferentes à condição da pessoa amada. Que triste espetáculo somos obrigados a presenciar: os humanos, criaturas ditas superiores, são incapazes de amar seus semelhantes; os cães, ao contrário, amam os seus e também a nós, que pertencemos a uma espécie diferente. O que fazer? Amar os cães e desprezar os humanos? Ou procurar, (vergonha das vergonhas) seguir o exemplo deles e amar a todos, sem distinção alguma?  Se isso não nos servir de lição, então se pode dizer que tudo está realmente perdido.

Luiz Santantonio - santantonio26@gmail.com

 
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