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Fevereiro 2009 - Corredor humanitário
   

Desde que me conheço por gente (e antes, bem antes, também) existem guerras no mundo.  O atraso da humanidade nesse sentido é notável, tanto que existem conflitos "para todos os gostos". Se o prezado leitor tiver a paciência de consultar seu dicionário notará que o substantivo "guerra" comporta uma infinidade de definições. Uma delas, talvez a mais genérica afirma que guerra é "luta armada entre nações por motivos territoriais, econômicos ou ideológicos". A estupidez humana é tanta, que existem até "guerras santas", geralmente as mais sanguinárias, tudo porque cada religião se posiciona como a "única ligada ou criada por Deus". Bem, mas a minha intenção não é exatamente desnudar essa fatia do atraso humano, e sim, comentar um fato recente ligado ao conflito entre árabes e judeus. Os judeus, cansados da pantomima guerreira dos palestinos, resolveram dar o troco. Assim, partiram para o revide dispostos a mostrar ao inimigo como se faz uma guerra da verdade. Os palestinos sentiram na carne o poder de fogo do inimigo, e a destruição de vilas e cidades não se fez esperar. Mortos, feridos e desabrigados aos montes. E aqui o ponto que me deixa confuso diante das atitudes humanas: Israel, "compadecido" da situação causada pelos ataques, resolveu conceder aos palestinos a criação de um corredor humanitário. Durante uma hora por dia (uma hora, entendido?) os israelenses se propõe a suspender o ataque a fim de permitir que o inimigo recolha seus mortos e assista os feridos. Bonzinhos, não? Durante uma hora o inimigo respira aliviado e corre para ajeitar as coisas do melhor jeito possível, porque terminado o prazo, o inimigo voltará para "o segundo tempo". Não consigo entender, porque Israel concede ao seu mais ferrenho inimigo (cujo ideal, como se sabe, é "eliminar Israel do mapa") esse tipo de fraternidade. Será que a palavra fraternidade cabe nesse contexto? É difícil compreender esses rasgos de bondade fora de lugar. A finalidade da guerra não é derrotar o inimigo? Para que então se lhe oferece trégua para tratar de seus feridos? A criação de um corredor humanitário não sugere algo de humanitário? Após a guerra de 1914/18, não foi criado o Tratado de Versalhes, com a finalidade de tornar as guerras "mais humanas", através da proibição do uso de armas químicas, além da condenação de certas atitudes consideradas "desumanas", tais como metralhar pára-quedistas durante a queda? Pouco ou nada mudou no panorama bélico, porque tudo foi acertado no papel; e como sabemos, tratados entre chefes de estado geralmente são feitos para não ser respeitados. Entretanto, o homem, ao que parece, não tem certeza se guerrear o inimigo é destruí-lo a qualquer custo e sem nenhuma piedade, ou, mesmo em se tratando de inimigo, há mister demonstrar algum tipo de compaixão? É precisamente nesse impasse que me encontro: os homens são maus por natureza, ou sua maldade é fruto apenas de sua imaturidade espiritual, ilusoriamente assentada no egoísmo, na vaidade, na ambição e no poder? Não sei dizer, mas ao me defrontar com atitudes como a criação desse tal corredor humanitário, reacende-se minha esperança na espécie humana. Confio que ao longo do tempo, ao invés de guerras, os líderes mundiais, mais amadurecidos na arte de viver, não se limitarão a construir apenas corredores humanitários, e sim, comunidades humanitárias, a fim de encaminhar a humanidade ao seu verdadeiro destino, ou seja, à tão sonhada (e ainda distante) globalização com fraternidade.

Luiz Santantonio
santantonio26@gmail.com

 
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