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Janeiro 2009 - Fiat Lux... e a luz se fez!
   

Estamos, mais uma vez, às portas de um novo ano. Ainda não entendi a razão pela qual, a simples mudança de calendário, mera convenção nossa, possa ser chamada de ano novo, quando, a bem da verdade, a monotonia da rotina é quase sempre a mesma. Daí a pergunta: que tal se tentássemos mudar?
Iluminismo
No século dezoito, um grupo de filósofos, pensadores, cientistas e intelectuais, repudiaram o dogmatismo e o autoritarismo da igreja, cuja influência, em todos os campos sociais, mantinha a população prisioneira do medo de Deus. Iniciava-se a era do Iluminismo, que se refere ao ambiente predominantemente intelectual que reinava principalmente na Europa, exemplificado pela confiança no poder da RAZÃO. Suas características principais eram o secularismo, respeito pela dignidade humana e convicção de que a RAZÃO iluminaria a humanidade e a levaria ao perpétuo progresso social, político e científico.
Iluminação
Podemos definir a iluminação, como sendo o estudo ou processo de se chegar à verdade partindo da ignorância – iluminação após trevas. Embora a iluminação e o ILUMINISMO tenham em comum a imagem da luz que supera as trevas, os dois conceitos se opõem em diversos aspectos: para não ir muito longe, diremos apenas que a proposta dos iluministas se concentrava no pensamento racional e no progresso humano, enquanto que a iluminação se refere ao abandono dos apegos terrenos a fim de alcançar a compreensão perfeita da realidade cósmica. Em resumo: uma proposta é de fundo material (ou materialista, se quiserem); outra é de fundo espiritual (espiritual, não religioso). Sem muito esforço concluiremos que em muitas propostas os iluministas alcançaram êxito; a humanidade materialmente falando, progrediu muito. Quanto à iluminação, que é o que realmente tem valor para dignificar a vida em comunidade, responda você, leitor: evoluiu? Permita-me responder: pouco ou nada; vivemos mais como feras disputando o mesmo pedaço de carne do que como criaturas que se orgulham de pertencer a uma raça nobre, porque dotadas de alma e pensantes. E por que, estará pensando o leitor, o cronista resolveu associar Iluminismo com Iluminação?  Nossa situação, hoje, apesar de termos avançado três séculos, ainda não se libertou do ranço medieval. Um novo ano é chegado; vamos enveredar covardemente pelo caminho costumeiro? Ou dar um passo à frente e buscar soluções ajustadas às nossas carências, que se assentam basicamente na falta de iluminação interior? Chega de andar nas trevas! E andar nas trevas não tem aquela conotação mística que o mundo lhe dá; é, acima de tudo, viver longe de si mesmo, longe da fraternidade; longe dos semelhantes; é viver escravizado aos preconceitos, (sociais, políticos, religiosos, raciais etc.) É chegada a hora, ainda não tardiamente, de iniciar uma campanha – sem emblemas e nem bandeiras – de criar um novo iluminismo, desta vez, espiritual, lastreado unicamente na nossa conduta interior, sem fogos de artifício e sem violência.  Não é difícil: basta adotar o oportuno pensamento de Thomas Paine: "Minha pátria é o mundo, e a minha religião, a prática do bem".

Luiz Santantonio
santantonio26@gmail.com

 
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