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Dezembro 2008 - Paz entre os homens: missão impossível?
   

Pelo panorama que se descortina século após século, parece que a paz, que deveria ser nosso apanágio básico, está cada vez mais distante. Não reafirmamos a todo instante que somos irmãos, que acreditamos em Deus? E não é no mês de dezembro que comemoramos o nascimento de Jesus, alicerçados no antigo e desgastado chavão: "Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade"? Será que a boa vontade é suficiente para disseminar a paz entre nós? Se for, então pelo que se vê essa qualidade é inexistente (ou desconhecida/ignorada) entre os humanos. Se deixarmos cair a máscara concluiremos que a humanidade não sabe o meio pelo qual conquistará a paz; ou melhor: se ela ainda não sabe  sequer definir o que seja paz, como pode vivenciá-la? Tanto é verdade, que há um antigo aforismo latino que candidamente nos esclarece: Si vis pacem, para bellum, ou seja: Se queres a paz prepara a guerra. Trocando em miúdos isso indica que as nações procuram fortalecer-se (belicamente, é claro) a fim de evitar uma eventual agressão, e, pela violência, conquistar a paz. Há uma espécie de prazer mórbido em imaginar a existência de um inimigo constantemente à espreita, pronto para nos destruir. Como ficamos então? A paz em si deve gerar mais paz, ou ela será conquistada somente através de guerras? Estas, como é do conhecimento de todos, servem a muitos fins, menos para fomentar a paz.  
Bem, deixemos um momento a nossa descrença de lado e vamos adiante. O leitor observará que nesta edição, comemorativa do Natal, inserimos uma foto que já faz parte de muitos logradouros públicos, tanto no Brasil como no exterior. Trata-se do "Marco da Paz". Há na sua base uma placa (em três idiomas: Português, Espanhol e Inglês) com os dizeres: "Este marco simboliza o ideal dos povos na busca da paz, da fraternidade e da solidariedade". Foram colocadas, ainda, placas com os mapas estilizados dos cinco continentes: Americano, Africano, Europeu, Asiático e Oceania, o que caracteriza a universalidade da idéia. Não é meu objetivo pesquisar quem idealizou esse marco, nem tampouco qual a organização responsável pela sua divulgação para o mundo. Seja quem for, merece nosso respeito pela iniciativa. Ali está inscrito, com arte e sabedoria, o ensinamento que esclarece o que a paz significa: a associação entre solidariedade e fraternidade. Nessa definição a palavra paz não está, como não poderia estar, associada a qualquer tipo de beligerância. Que bom seria, leitor, se cada um de nós criasse um marco de paz interior, e aproveitasse a época para meditar, repor energias espirituais, aproximar-nos um pouco de Deus, e comemorar a festa natalina com o propósito de pavimentar o caminho natural da humanidade: fomentar a paz por meio da solidariedade e da fraternidade!
Em tempo: No bairro do Tatuapé há um marco da paz na Praça Silvio Romero. Há um também no Pátio do Colégio, no centro de S. Paulo. Convém conhecê-los e quem sabe, encontremos neles a inspiração e o sinal de esperança de que a semente da paz ainda germinará.
Carpe Diem!

Luiz Santantonio
santantonio26@gmail.com

 
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