Revistas Em Condomínios
Novembro 2008 - Em condomínios (o sol nasce para todos)
   

Acredite leitor, escrevo para esta revista há mais de dois anos sem nunca me dirigir especificamente aos moradores dos edifícios onde é distribuída. Era uma falha inadmissível, só agora reparada. Analisemos juntos o que tenho a transmitir. 
Em tempos idos a população vivia em casas. Edifícios eram raros, principalmente para moradia. Os poucos que existiam destinavam-se mais à área comercial. À medida que o tempo passava, todavia, os prédios multiplicaram-se de tal forma, que hoje, boa parte das casas vai sendo, gradativamente, substituída por apartamentos. O que se alega é – principalmente nas grandes metrópoles – a falta de espaço. No mesmo terreno onde antes havia uma casa hoje se ergue uma torre (antigamente construíam-se edifícios; hoje para auferir mais lucros, os prédios foram rebatizados de torres). Não é meu propósito questionar se essa é ou não é a maneira certa de promover o progresso. Minha intenção é analisar a convivência entre os habitantes dos condomínios. Em outros tempos, quando cada família morava em uma casa, havia certa camaradagem entre os vizinhos. Quase todos se conheciam, se cumprimentavam, e, não raro, ajudavam-se mutuamente. Atualmente, ao contrário do que a lógica, o bom senso, e a fraternidade demonstram, a proximidade entre as pessoas, que deveria ser fator de união, de compreensão, (e até mesmo de educação) funciona às avessas. Quando se encontram – no elevador ou nos corredores – nem todas se dão ao trabalho de dirigir um cumprimento ao vizinho; esse gesto, tão simples, parece causar-lhes fadiga. O que leva as pessoas a ignorar seus vizinhos? Que princípio, seja ele filosófico ou religioso, nos recomenda a viver com tanto orgulho e tanta arrogância? Será que ignoramos que um simples escorregão numa inocente casca de banana pode acabar com tudo? Uma pequena distração pode nos custar a vida, esse bem precioso que deve – sem que isso nos custe nenhum sacrifício - ser compartilhado com nossos semelhantes? (Esse princípio, milenarmente conhecido e aceito por todos os povos, é a base de todas as religiões e filosofias). Por mais que pense custa-me aceitar a idéia de que devemos – sob o pretexto (ou desculpa) de preservar nossa privacidade – deixar de conviver amigavelmente com nossos vizinhos.
Há um cartaz afixado em praticamente todos os elevadores de prédios que adverte: "É vedada sob pena de multa, toda a forma de discriminação em virtude de raça, sexo, cor, origem, condição social, idade, porte ou presença de deficiência e doença não contagiosa por contato no acesso aos elevadores deste edifício". Discriminação, portanto, (mesmo que isso nos desgoste) é a palavra adequada para a conduta da relação entre vizinhos.
O leitor já imaginou se, hipoteticamente, houvesse um fiscal para controlar todas as ações dos condôminos no que diz respeito à boa convivência entre vizinhos? Haveria mais multas que no trânsito, não?
O famoso filósofo latino, Terêncio, não deixa por menos: "Homo sum et nihil humani a me alienum".
Sou homem e nada do que é humano me é estranho. Ou seja: advoga, pura e simplesmente, a solidariedade humana.

Luiz Santantonio
santantonio26@gmail.com

 
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