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Outubro 2008 - O tempo é o melhor juiz de todas as coisas
   

O mundo acaba de assistir a mais uma olimpíada. Meu objetivo não é fazer comentários sobre ela; isso compete aos repórteres especializados. O que desejo mostrar é o quanto a humanidade é dissimulada, e se alimenta de mentiras e enganações em todos os setores da vida.  Você por certo, percebeu que essa olimpíada nos trouxe uma quantidade enorme de competidores negros. E desta feita, mais que as anteriores, eles estavam presentes nas delegações de quase todos os paises ocidentais: França, Portugal, Espanha, Itália etc. Isso, sem falar nos Estados Unidos – incansavelmente tentando impingir ao mundo sua imagem de paraíso da democracia – que sempre se valeram de atletas negros em seu plantel de competidores. Os Americanos, "que não dormem com nossos olhos", e muito atentos aos seus interesses, sabem que os atletas negros raramente deixam de ocupar os primeiros lugares onde quer que se apresentem; e nunca ou raramente, envergonham a bandeira sob a qual competem. Analisemos, então, como o mundo, astutamente, lida com eles. Os negros são hoje, hipocritamente, denominados de afro isso, afro aquilo, como se essa designação - mera cobertura adocicada – pudesse esconder o eterno preconceito que a maioria branca nutre por eles desde os tempos mais remotos.  A escravatura, "escrava" da conveniência dos "senhores", depositou de forma indelével, sobre os ombros desses irmãos, o estigma da inferioridade, que lembra o ferro em brasa com o qual eram marcadas as "peças" (eles não eram conhecidos como seres humanos, e sim, como peças). E apesar desse quadro, os brancos, malgrado sua má vontade, não hesitam em utilizá-los como atletas "representantes do país onde nasceram, com direito a bandeira, hino, e tudo o mais". Isso porque são atletas perfeitos, insubstituíveis nas modalidades em que competem. A pergunta é a seguinte: se houvesse brancos com a mesma capacidade, os negros seriam convocados? No fundo, bem no fundo da alma, a maioria dos povos de "raça branca" ainda não admite que negros e brancos sejam irmãos. Sua ignorância é tamanha, que a simples diferença de cor da epiderme, é motivo para alimentar a crença de que os seres humanos pertencem a categorias diferentes, a exemplo da vida social, onde, apesar da falácia denominada de globalização, ainda existem castas mais nobres e castas menos nobres. É bem verdade que as pessoas que já se livraram desse estigma, e vivem com os "afros" de modo fraternal, podem achar que eu esteja exagerando ou até mesmo radicalizando; a elas, peço desculpas; porém, minha experiência junto às mais diferentes camadas sociais tem demonstrado que nossos irmãos negros são utilizados quase sempre para satisfazer interesses dos "brancos". Não havendo vantagem em utilizar seus préstimos, o que se usa é o "chega pra lá". É bom lembrar, por fim, que essa conduta anticristã é muito freqüente também em muitas religiões, campo no qual o espiritual deveria sempre ser separado do material. Em resumo: a pele pode ser preta, branca, amarela, o que for, e a alma, que cor terá? Será que os negros são segregados porque sua alma, na concepção dos brancos, também é negra?  Dito isso, embora muitas vezes perca a paciência como a nossa civilização lida com as situações do dia-a-dia, dou a volta dentro de mim mesmo e continuo, teimosamente, a acreditar no ser humano, porque o tempo é o melhor juiz de todas as coisas. Dentro dele colheremos os frutos de nossa conduta, ora doces, ora azedos! É a minha opinião. Entrementes, caro leitor, em se tratando de um assunto muito importante, apreciaria que manifestasse seu ponto de vista. Entre em contato comigo. Meu e-mail está logo abaixo.

Luiz Santantonio
santantonio26@gmail.com

 
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