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Setembro 2008 - Ser amistoso ou não ser ("to be or not to be")
   

Este amigo de vocês gosta de se comunicar com as pessoas (lembram-se daquele desenho do Gasparzinho, o fantasma camarada?). Sinto prazer em manter contato, por menor que seja, com as pessoas com as quais me deparo, ou no banco, ou num consultório, ou numa fila; estou sempre procurando alguém com quem conversar. Essa forma de viver, ainda que pareça incrível, tem-me custado alguns dissabores, porque – embora faça tudo com respeito – muitas pessoas, simplesmente preferem "virar a cara" e afundar-se em seu mundo. Essa constatação nos mostra que o ser humano ainda está longe de viver amistosamente com seus semelhantes. Tantas foram as "trombadas" que resolvi, embora contra minha natureza, a viver de pouca conversa, ou seja, que o "cada um por si" seja a regra normal da "vida civilizada". Quando já estava me acostumando com a normalidade desse isolamento, ocorreu-me um fato que me fez reavaliar meu conceito. Dia desses, ao entrar num estabelecimento, não prestei atenção a um degrau e sofri uma queda. "Mergulhei" no chão e, surpresa: imediatamente fui socorrido por um batalhão de pessoas ali presentes. Uma levou-me água; outra, muito solícita, preparou um saquinho com gelo, para ser colocado no cotovelo, "presenteado" com um enorme hematoma; outra recomendou que permanecesse sentado. Depois de alguns minutos, me ergueram carinhosamente, e algumas se propuseram a me acompanhar, receosas de que ainda não estivesse em condições de caminhar sozinho. Eis aí como a vida, que é a nossa verdadeira mestra, nos ensina suas lições. E eu, a bem da verdade, estava precisando de alguém ou alguma coisa que me mostrasse o outro lado do ser humano. Por fim, me convenci que a nossa presença no mundo tem uma finalidade profunda. E nós ainda somos despreparados para entender o seu real significado, e quase sempre nos precipitamos em nossa análise, principalmente, quando se trata de julgar pessoas.
Não é à-toa que Hamlet, personagem de Shakespeare, conversando com seu amigo Horácio, em determinado momento filosofa: Há mais coisas entre o céu e a Terra com que possa sonhar sua vã filosofia, Horacio.

Luiz Santantonio
santantonio26@gmail.com

 
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