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Julho - 2008 - Bolsa de mulher
   
Bolsa de mulher é algo que nos faz pensar. Quem imagina que se trata apenas de mero acessório feminino, engana-se. A bolsa da mulher é antes, um mundo. Ela comporta centenas de itens, e dá gosto observá-las escarafunchar o interior das bolsas à procura de alguma coisa, seja o batom, as chaves do carro, ou qualquer outra coisa que faça parte da necessidade do momento. Dentro de cada uma há um mundo fascinante, altamente diversificado. Como o leitor já está familiarizado com o meu trabalho, não lhe será difícil desconfiar que deve existir algo mais que uma simples descrição desse componente feminino. Se você pensou nisso, leitor, acertou em cheio.
Trata-se sem dúvida de uma metáfora, eis que a bolsa feminina, no que diz respeito à quantidade e diversidade de seu conteúdo, assemelha-se à quantidade e diversidade de tudo o que compõe o interior de nosso espírito. (Por espírito utilizo a definição de Descartes: “uma coisa que pensa, que duvida, que concebe, que afirma, que nega, que quer, que não quer, que imagina, que sente”). “Pouco importa, afirma o filósofo André Comte Sponville, que essa “coisa” seja o cérebro, como creio, ou uma substância imaterial, como acreditava Descartes”. Adotei essa definição em respeito a compreensão do leitor, que pode ser diferente. O nosso espírito, portanto, é igualmente variado; dentro de nós há de tudo e, muitas vezes, mesmo escarafunchando lá dentro, custa-nos encontrar o que procuramos. Todavia, há entre o nosso interior espiritual e as bolsas, uma grande diferença: a mulher, embora às vezes custe a encontrar o que procura, sabe o que há lá dentro, e, portanto, por mais que demore, acaba tendo sucesso em sua busca. Nós, ao contrário, por mais que busquemos, raramente encontramos o que procuramos. Por quê? Simples: quem de nós sabe realmente o que procura? Sempre que necessitamos resolver um problema da vida, nossa mão mental vai em busca de uma resposta. Como devo agir nesse caso? Perdôo, ou não? Não sei. A tradição me empurra para vingança; devo vingar-me? Não tenho certeza. Por que me sinto pequeno diante dele? Eu não me sinto pequeno; será que estou enganado? Já fiz meu julgamento; estarei certo?... E se não estiver? Bem, eu decidi que será assim e ponto final. Acordei essa madrugada pensando: será que agi certo? E se errei, o que me acontecerá? 
O problema do ser humano é complexo, porque a vida em si também é complexa. A complexidade é o oposto da simplicidade. Como nós – que deveríamos pautar nossa vida na simplicidade – fizemos o oposto, nossa herança também é complexa e nos empurra sempre para situações de conflito em relação ao que sentimos e decidimos, que resulta quase sempre em sofrimento. Há, se formos espiritualmente espertos, um caminho que pode suavizar nossa vida: impossível acertar sempre, ainda porque quem sabe quando está acertando e quando não.  E o que é, afinal, acertar? Ninguém sabe. Nesta altura de nossa evolução pairam ainda muitas dúvidas. O que fazer, então? Procurar no fundo de “nossa bolsa” o melhor de nós. O melhor de nós significa dar o máximo de que somos capazes, no sentido de viver com equilíbrio e simplicidade sem a intenção de prejudicar ninguém. As mulheres – essas criaturas maravilhosas – nos oferecem por meio de suas “bolsas-mundo”, um bom exemplo de “quem coloca o que precisa na bolsa, nunca se decepciona”.

Luiz Santantonio
Magnolu@uol.com.br
 
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