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Maio - 2008 - Sabedoria materna
   

Educar filhos não é tarefa fácil pela simples razão que nem toda mãe possui sabedoria suficiente para isso. Quando se menciona a palavra sabedoria o leitor imagina que se trata de algo muito elevado, não disponível para todos os mortais. Nada disso: é a aplicação inteligente dos conhecimentos; é o caráter do que é dito ou pensado sabiamente. Portanto, sabedoria materna é algo que está ao alcance de todas as mães, bastando que encontrem a forma de encaminhar seus filhos, observando (isso é indispensável) cuidadosamente a personalidade de cada um. É um trabalho que exige paciência, tempo, e muito amor. Vou narrar para vocês um dos métodos que minha mãe utilizava para me ensinar a compreender a vida, e principalmente, eu mesmo. Ela me afirmava: “Filho, se você não se conhecer, não dará nenhum passo correto na vida”. “E como faço isso?”. “Simples, venha comigo que vou ensinar-lhe”. Ato contíguo ela me acompanhou em direção a um espelho grande que havia na sala e nos colocou diante dele.  Ali, me perguntou: “O que você vê refletido no espelho?” “Eu e a senhora, respondi”. (Naquele tempo os pais não eram tratados por “você”, como hoje em dia). Ela prosseguiu: “quando eu sair daqui, que imagem restará?” “A minha, claro!” “Pois bem, olhe bem para ela e pergunte: quem é você? O que lhe agrada e o que mais lhe desagrada? Com que humor você levantou hoje: animado ou desanimado?” Eram tantas as perguntas sugeridas que eu comecei a ficar tonto, sem saber por onde começar a fazê-las e porque fazê-las. Ela tranqüilizou-me: “todos os dias, antes de sair para o trabalho (naquele tempo a luta pela vida começava por volta dos catorze anos) pare por alguns minutos diante do espelho e dirija à imagem ali refletida, a pergunta que gostaria de ver respondida. “Aprenda logo uma coisa importante: você tem como responder às próprias dúvidas. Não precisa perguntar a ninguém, sabe por que?” “Como vou saber, mãe?” “Porque meu filho, cada pessoa só consegue responder à pergunta do outro apenas com a sua forma de pensar, que raramente é igual ao perguntador, entende?”. No começo ficou difícil de entender, mas à medida que os dias foram passando eu – muito curioso para saber se esse método tinha alguma serventia ou se era apenas mais uma das singelas e maravilhosas invenções de mamãe para tentar nos ajudar a entender a vida – tornei a minha presença diante do espelho uma rotina diária. E, querem saber? Questionar-se diariamente, buscando em si mesmo as respostas necessárias, transformou-se na mais bem sucedida experiência da vida. Até hoje, decorrido mais de meio século, sempre que preciso de calma, de esperança, enfim, de alguma resposta que me fará sair de casa mais confiante, vou direto ao espelho, e a figura que ali vejo é solícita, e está sempre ao meu dispor; para ela não há feriados nem dias em que não pode me atender. E tudo, graças a uma descoberta de uma mulher ignorante (se analisada pelos padrões costumeiros), porém, criativa e profundamente interessada em encontrar meio simples de ajudar seus filhos. É possível esquecer uma mãe como essa? Mães com esse estofo, infelizmente são raras hoje em dia. É claro que não é por falta de amor, e sim, por falta de tempo. Pergunto: será a falta de tempo um dos fatores que impede o despontar da criatividade materna? Ou será outra coisa que meu espírito não alcança? Não sei, não sei... Um dia, tenho a certeza, a vida mudará, e os tempos se encarregarão de repor no lugar todas as coisas perdidas por culpa de uma civilização que foi deixando seus valores fundamentais perdidos na beira da estrada. Mais hoje, mais amanhã, nós retornaremos para recolhê-los, tenho a certeza.
Meu abraço de filho a todas vocês, queridas mamães!

Luiz Santantonio
Magnolu@uol.com.br

 
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