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Março - 2008 - Nosso Carnaval acabou; o deles, não!
   

A história é a seguinte: você não sabia que existem dois carnavais? Acompanhe-me e lhe mostrarei. Há um que chamarei de normal, que acontece uma vez por ano; porém, há outro, de caráter metafórico, que não tem dia para acabar. O natural acabou há pouco; o outro perdura e parece, pelo menos em nosso país, que começou lá longe, na nossa origem como povo. Este segundo carnaval, metafórico, como afirmei, não deveria, em rigor, receber esse título, uma vez que nada tem de engraçado nem de divertido. Nosso povo, bom, receptivo, meio crianção ainda, balança sua conduta, ora pela imaturidade, ora pela irresponsabilidade. Comecemos pelo natural, que ocorreu entre 2 e 5 de fevereiro p.passado. Há, em nosso país, uma mentalidade curiosa: afirma-se que o ano termina por volta de quinze de dezembro e recomeça depois do carnaval. É uma triste verdade essa, embora por aqui as coisas sejam diferentes de tudo o que se conhece: começa-se a comemorar o Natal bem antes do dia 25, e o Carnaval, bem o Carnaval, já deixa todos inquietos não na sexta-feira anterior, mas sim, na semana anterior. É claro que essa pressa em preparar-se para a festa tem raízes no obsessivo prazer que nosso povo tem por “feriadões”. Não há nada mais importante do que folgar vários dias seguidos. É o que mais apreciamos; nosso povo parece não se dar conta de que o país ainda engatinha em termos de progresso, e precisa, muito mais que “feriadões”, de trabalho dedicado, a exemplo de outras civilizações, que restringiram as folgas ao mínimo. Não é necessário ser gênio para fazer esta simples continha: o que vale mais para o país: um dia de trabalho ou cinco dias de feriadão. Está bem, está bem, não se zanguem comigo, porque afinal não sou tão c.d.f. como deixo entrever; vamos deixar isso pra lá e prosseguir.
Mencionei, no início, a existência de dois carnavais. Já falei do real; falarei agora do metafórico, ou seja, uma situação que convencionei denominar de carnavalesca, mas que na verdade não é. Refiro-me aos que nos governam. Não são eles, exceções à parte, meros gozadores, verdadeiros reis momos de mentirinha, vivendo o tempo todo fantasiados de patriotas? É ou não uma forma delituosa de folia carnavalesca, a atuação daqueles que tem o dever de conduzir o povo a melhores destinos? Não será por acaso essa péssima conduta a responsável pela desilusão do povo em relação ao futuro, impelindo-o a buscar nos feriadões uma espécie de fuga? Ou quem sabe toda essa euforia pelos feriadões seja apenas uma forma de se vingar desses “nobres” carnavalescos? Só um estudo psicológico profundo poderá nos dar uma resposta satisfatória.

Mais do que a busca por feriadões, sejam eles carnavalescos ou não, precisamos amadurecer como povo. É necessário crescer, evoluir, não nos entusiasmar tanto pelos feriadões, e arrancar a máscara desses carnavalescos que nos governam, mostrando-lhes que apesar do colorido de suas fantasias, nós precisamos de gente séria, honesta, que não faça de sua vida política um eterno carnaval, e de nós sua eterna passarela. E quanto aos feriadões talvez seja necessário utilizar a mesma recomendação que se dá aos que consomem bebidas alcoólicas: “use com moderação”. 

Luiz Santantonio, Magnolu@uol.com.br

 
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