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Janeiro - 2008 - Aí vem o ano novo de novo; que tal brindá-lo como tal?
   

Caro leitor: Este ano o escrevinhador destas crônicas andava meio sem inspiração. Escrever sobre o ano novo é fácil e difícil: fácil, se a gente se limitar a repetir a mesma lengalenga das mensagens que andam por aí. Tanto as que mandamos como as que recebemos são recorrentes.  Isso já cansou, não?  E por que cansou? Porque esse hábito destina-se a cumprir uma obrigação social. Isso mesmo: uma “obrigação” social. Façamos, pois, uma indagação: em que ponto se poderia conferir à data um valor distante da mera convenção social e nos transmitir uma idéia original? Que tal algo simples, porém ignorado?
Acredito fielmente que todas as nossas ações carregam consigo um determinado clima, algo imaterial que procede do nosso âmago. Esse algo imaterial em psicanálise se denomina “Id”, que significa aspecto da personalidade relacionado com as reações instintivas. Ele é, trocado em miúdos, o retrato sem retoques daquilo que compõe nossa característica espiritual. Ele nos induz a amar, odiar, ser indiferentes, atenciosos etc. Gostaria de sugerir uma forma diferente de comemorar o ano novo, sem levar em conta toda essa pompa vazia que domina nossos costumes. Como entendemos que a passagem do “ano velho” para o “ano novo” (para mim, a simples mudança dos ponteiros do relógio não significa absolutamente nada) merece uma comemoração, baseada fundamentalmente em cumprimentar as pessoas a quem dizemos querer bem, augurando-lhes tudo de bom, porque não abandonamos de vez a máscara social, o hábito gestual, e fazemos um esforço inédito, buscando dentro de nós o caminho certo? Somos todos humanos; afora as diferenças temporárias; sim, porque “Hodie mihi, cras tibi” (Hoje toca a mim, amanhã a ti). Claro que você entendeu, leitor o que significam essas simples palavras. Então, por que protelar indefinidamente uma pequena mudança em nossos sentimentos? Qual a diferença entre um cumprimento sincero e um insincero? O que nos custa essa mudança? Absolutamente nada! Quando o nosso cumprimento é sincero, ele produz força interior, claridade espiritual, bem-estar. Desejar felicidade aos nossos amigos terá que refletir, a partir de agora, (sem desculpas) não mais uma obrigação social, mas uma claridade interior, de braços dados com a sinceridade e a fraternidade. De que valem as palavras: “ano novo, vida nova”. Aí fica a sugestão: no ato de desejar aos outros um feliz ano novo estaremos, com certeza, proporcionando o mesmo desejo, em gênero, número e grau a nós mesmos. Esse é um ato inteligente e sábio, algo que precisaremos muito no próximo ano.
Preciso de um ano novo feliz; por isso leitor, Feliz ano novo para todos nós!

Luiz Santantonio
Magnolu@uol.com.br

 
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