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Dezembro - 2007 - O Natal chegou; vamos entrar na fila?
   
Entre a grande variedade de festas inventadas pela humanidade, a do Natal ganha de todas, em hipocrisia e ingenuidade. Sei que esse começo parecerá um tanto chocante para alguns, porém, peço que me deixem explicar o porquê dessa colocação. Vamos lá: a tarefa aparentemente mais fácil para quem escreve é a de escrever uma crônica a respeito da “data magna da cristandade”. A facilidade desaparece quando o escritor não se contenta com o lugar comum. Hoje em dia, sem repisar o óbvio, nós “não estamos nem aí” para o significado que a religião atribui à data. Se no passado ainda se acreditava que o Natal comemorava o nascimento de Jesus, hoje, do jeito que se vive no mundo, pode-se dizer, sem temor, que a humanidade foi perdendo o interesse que a religião lhe deu. Não sei bem, se “foi perdendo”, ou se já perdeu; a verdade está aí, diante de nossos olhos, demonstrando que o que se quer, na verdade, é aproveitar a data para aquilo que o homem mais gosta: usufruir a vida material, por todos os meios: comer, beber, farrear, presentear, preparar a lista do “amigo secreto” etc. Ah! E o bombardeio de fogos à meia-noite, que tal?
Se de fato já acordamos para o século vinte e um, não será difícil perceber que o desvio situa-se na maneira adotada pelas instituições, tanto laicas, como religiosas, de comemorar a data natalina. Ao que consta, via tradição: o Natal é o símbolo da fraternidade, do amor, do já desgastado, “paz na Terra aos homens de boa vontade” etc. O que causa espécie é a ingenuidade – para dizer o mínimo - desses provedores natalinos. Durante os dias que antecedem a data (quem ainda não presenciou?) formam-se longas filas de pessoas carentes à frente dessas instituições. Segundo pesquisa que realizei junto a esses “pobres”, em vários lugares, comprovei, sem me surpreender, confesso, que entre eles existem muitos, mais do que imaginamos, malandros e espertalhões, que “alugam” famílias (elas freqüentam tantas filas quanto possível) para estocar cestas básicas, vendendo-as depois a esses mesmos pobres. Esse tipo de conduta não deve nos espantar; afinal, vivemos no Brasil! O problema não reside na distribuição de alimentos e brinquedos; ela em si é até louvável; o nó a desatar é outro: no dia vinte e cinco haverá fartura em muitas casas; a partir do dia vinte e seis, porém, depois que a festa acabou, o pobre continua pobre, o faminto, faminto, o desempregado idem, a criança sem brinquedo etc, etc. Incrível como todos se esquecem que os pobres precisam de alimento todos os dias, e não apenas no dia vinte e cinco. Trata-se, lamentavelmente, apenas de um paliativo, uma falsa caridade (não mal intencionada, acredito) que não vai ao cerne da situação. As instituições, no meu entender, somente estarão praticando a verdadeira caridade quando, além das cestas básicas e dos brinquedos, encontrarem uma forma de encaminhar os necessitados para que obtenham o que precisam à custa de seu trabalho, de seu esforço, e não eternamente dependentes da degradante esmola, natalina ou não.  A maneira de realizar esse trabalho cabe a cada instituição descobrir, empenhando-se na busca do verdadeiro sentido das palavras, filantropia, e caridade! Como se vê, a humanidade terá que, ou redescobrir o primitivo sentido do Natal, ou aboli-lo definitivamente, extirpando assim, toda essa carga de hipocrisia que onera sua vida, impedindo-a de viver uma vida real, e, portanto, razoavelmente feliz!
Amigo leitor: Sente e pense, mas não se preocupe demais, porque dia mais, dia menos, acabaremos encontrando nosso caminho. E a todos vocês, a quem agradeço pela paciência de acompanhar minhas crônicas, desejo, de coração, um Natal real!

Luiz Santantonio
Magnolu@uol.com.br
 
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