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Agosto 2007 - Procuram-se almas gêmeas
   

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Peço desculpas ao leitor pela brincadeira, pois o negócio é sério. Vamos a ele. Existe um conceito que nos remete a um ponto que à primeira vista parece lógico. Afirma-se que a melhor solução para que duas ou mais pessoas – não necessariamente homem e mulher – vivam em plena felicidade é o conceito (ou lugar comum, não sei) de que sejam “almas gêmeas”. São pessoas com pensamentos e sentimentos idênticos. Os leitores, - assim como este que lhes escreve - provavelmente já se cansaram dessa história, porque sabem, pela própria experiência, que se trata de um argumento lastreado mais na imaginação poética do que na própria realidade. Essa constatação é boa ou ruim? Imagino o quanto a vida seria monótona, uma verdadeira chatice, se fosse grande o número de almas gêmeas. O melhor é deixar que o leitor me acompanhe e ponha sua cuca para funcionar. Já imaginou o leitor se seus filhos não se diferenciassem? Os dois são insuportáveis, ou, os dois são quietos demais, ou, os dois pedem sempre as mesmas coisas etc. Etc. E marido e mulher, que tal? Esses exemplos aplicam-se a todas as relações entre pessoas, sejam familiares ou não. Todos (ou quase) concordam que uma das maiores riquezas da vida é justamente o contrário: cada qual é diferente do outro, e nem por isso – ou justamente por isso – é que se sente a pujança da criação. Não nos esqueçamos: (e lá vai outro lugar comum) o que seria do amarelo se todos gostassem do vermelho?

Olhemos o mundo com a mente aberta e acompanhemos a variedade infinita de caracteres de seus habitantes. Cada ser humano molda-se livremente, pois só assim será dono de seu destino. Essa liberdade de escolha, sem que seja vista como virtude ou pecado, é que me faz crer na existência de um criador dotado de uma inteligência perfeita. Deixo a cargo do leitor a definição do quê ou de quem seja esse criador, pois isso faz parte da sua liberdade de escolha. O que significa viver? É aprender e experimentar; enfim, é conhecer a fundo a obra criadora e dela participar. Só assim seremos verdadeiramente livres e senhores da nossa vida. Se somos, sem exceção, seres humanos, e analisarmos essa verdade por breves instantes, concluiremos que todos nós, como espécie, somos almas gêmeas. O que quero dizer, como espécie? Quero dizer que somos todos humanos, e no meu entender, almas gêmeas, como espécie, totalmente diferente de ser almas gêmeas como pessoas. No mundo, ao que se sabe, espécies iguais se ajudam, compartilham tudo, e, por que não, também exercem sua forma própria de amor, não ignorando, é bom repetir, que cada qual tem sua própria característica. Esse desdobramento do raciocínio nos leva à pergunta crucial: Sabendo-se que somos os reis da criação, isto é, os únicos seres dotados de algo mais que um corpo físico, além de ser os únicos racionais, por que nos defrontamos com tanta dificuldade em viver em harmonia com nossos semelhantes, fartos de saber que não existem duas pessoas exatamente iguais? E não é, precisamente dentro dessa diferença que o mundo conquista tudo o que precisa? Será que existe uma resposta única, ou há muitas respostas para a questão, já que cada um de nós pensa de modo particular a respeito do significado da vida? Eu tenho a minha, e você leitor (a) com certeza terá a sua. Vamos, juntos, respeitando cada qual o ponto de vista do outro, - sem nos preocupar com essa tola fantasia da “alma gêmea”, encontrar a resposta; quando, e se a encontrarmos, tenho a certeza de que nossa vida será melhor.
Sente e pense...
Luiz Santantonio
magnolu@uol.com.br

 
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