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Fevereiro 2006 - Álcool, jogo e cigarro, três malfeitos à solta |
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Para nos livrar deles, não haveria necessidade de usar nenhuma violência; bastaria não beber, não jogar e não fumar. Simples assim. Esses malfeitores, contudo, - como todo malfeitor que se preza ¬têm amigos poderosos, e quem são eles? Mais adiante serão delatados; calma, pois. Todos nós já nos deparamos com as advertências divulgadas nos recipientes de bebida, (beba com moderação; evite o consumo excessivo de álcool); na porta das casas de jogo (a prática do jogo pode viciar e promover problemas emocionais e financeiros); e nos locais onde o cigarro é vendido (este produto contém mais de 4.700 substâncias tóxicas, e nicotina que causa dependência física ou psíquica. Não existem níveis seguros para consumo dessas substâncias. Fumar causa impotência sexual). Essas advertências, para dizer o mínimo, são, além de cínicas, totalmente mentirosas, senão vejamos, se todos os que bebem o fizessem com moderação, o que seria do astronômico faturamento da indústria de bebidas? Se todos os que jogam soubessem que no jogo só o banqueiro ganha (está na cara, não?); que o jogo, depois de contraído o vício (o que não é muito difícil) leva mesmo o viciado a problemas emocionais e financeiros? O cigarro, ah! O cigarro; como podem os que o produzem, que precisam faturar milhões, dizer - com a maior cara de pau - que ele é responsável por tanta desgraça? Se os escravos desses vícios levassem a sério, além das tais advertências, as explicações científicas sobre as conseqüências danosas da companhia desses malfeitores, fartamente veiculadas na imprensa, na literatura, e na televisão, quem em sã consciência marcharia, de olhos e ouvidos tapados, para a sua degradação moral e física? Nós, humanos, nos ufanamos de ser os reis da criação. E por que? Porque somos dotados de uma faculdade única entre todos os seres que habitam a Terra: a Razão. E para que serve ela? Apenas como adorno do nosso espírito ou para discernir, para escolher, para não ser nem iludido nem enganado por tudo o que é grosseiramente travesti do de bem e de verdade? E mais: mesmo quando nos vemos diante dessas contradições indecorosas, pelas quais a realidade está "na cara", por que insistimos em nos prejudicar? O único jeito é desmascarar os tais amigos desses malfeitores: eles são, (pasmem) nada mais nada menos, que os próprios viciados! Quando nos tornamos seus amigos do peito, apesar dessa fartura de esclarecimento, de avisos, de conselhos, e até de tratamentos, fica-se com a impressão de que perdemos a condição de criaturas racionais para chafurdar nesses vícios, nos ocultando na sombra de uma pretensa e invencível fraqueza. Bem, fumar mata. O viciado retruca: - "não creio; isso é exagero!" Jogar causa problemas financeiros e emocionais. O viciado filosofa: - "e daí, quem não tem problemas?" Quanto ao álcool nem é necessário "esticar" a argumentação, pois se trata de um dos males sociais mais antigos e destrutivos. Diante desse quadro, e sem ignorar que todas as soluções dependem de nós mesmos, e apesar disso - sem nenhuma justificativa lógica - insistimos nos velhos chavões, repetindo que não temos força de nos livrar desses malfeitores, cuja ligação, afinal, deu-se por iniciativa nossa e não deles. Conclusão: a minha preocupação, tendo em vista o triste panorama social a que assistimos diariamente, principalmente em relação à juventude, é oferecer um quadro - entre tantos existentes - sobre a forma conflitante com que a sociedade encara os problemas apresentados. Somos criaturas inteligentes; por isso confio que no tempo recuperaremos integralmente o juízo e nos livraremos definitivamente da companhia desses malfeitores... Para finalmente viver: carpediem! Luiz Santantonio - magnolu@uol.com.br |
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