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Maio 2007 - Mamãe: hoje é dia de recordar; de sentar e meditar; de amar e perdoar! |
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Meu editor telefonou-me lembrando-me que já estava à espera da crônica para maio, mês em que se comemora, entre dezenas de outras datas, o dia das mães. Eu, para ser sincero, andava meio sem inspiração, tendo em vista que todos os anos escrevo uma crônica sobre isso; e nesta altura andava à cata de alguma coisa inédita. Diante disso, só me restava buscar inspiração em algum lugar para, pelo menos, escrever algo que não fosse o costumeiro. Então, sem me dar conta, inventei de folhear um velho álbum de família. E por mais que isso pareça inverossímil, a primeira foto com a qual me deparei, era uma daquelas em que a família posava, sem sorrir, num daqueles vetustos atelieres do passado. Era uma fotografia da família: meus pais, eu, e meus irmãos e irmãs: sete ao todo. Todos durinhos em sua roupa domingueira. O curioso é que meu olhar deteve-se, como que puxado por um imã, na imagem de minha mãe. Olhei-a firmemente, procurando penetrar em sua alma, alma essa, sempre inescrutável para nós. Lembrei-me de sua força, de sua coragem, de sua secura no trato conosco,... e também dos petelecos que tomava sistematicamente, todo santo dia. Hoje, depois de tê-la perdido há mais de vinte anos, e, diante daquela fotografia desbotada, meu entendimento – que espero tenha alcançado um patamar mais evoluído – iniciou uma viagem a outros aspectos da nossa vida em família. Meu primeiro pensamento foi de tristeza; tristeza comigo mesmo. E por quê? Teria eu sido um mau filho? Não fui dos melhores, mas também não fui dos piores. Não, não era isso que me preocupava. O que me preocupava era coisa diferente: por que, perguntei-me, eu nunca consegui distinguir naquela criatura, onde se situava sua brandura, seu amor? Será que sua postura de lutadora e indomável, a incapacitava de exteriorizar esses atributos que são, no meu entender, inerentes à nossa espécie? Eu, como filho – hoje penso assim, e espero que todos os filhos me imitem - pergunto-me, bastante amargurado, por que não procurei, no convívio com minha genitora, encontrar um meio de conhecê-la melhor, e assim, amá-la como merecia? Afinal, quem seria eu sem todo aquele desvelo que só uma verdadeira mãe é capaz de dar? Sei que esse fato é mais comum do que se imagina: nós vivemos a vida alienados de tudo, até mesmo daqueles que nos são caros. O tempo passa, as criaturas se vão. Quando delas nos recordamos – pelo menos os que são relativamente espiritualizados – ficam as lembranças e o arrependimento. Anos e anos vivendo com a mamãe indiferentemente, nutrindo por ela um amor quase superficial, quase inexistente. Pois bem, minha mensagem para o dia das mães é diferente, e não adornada daquelas expressões adocicadas, criadas para agradar, imaginando que se pode substituir o amor por um pacote embrulhado em papel colorido. Luiz Santantonio - magnolu@uol.com.br |
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