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Abril 2007 - Vamos todos, sem culpa, “Sair do armário”? |
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Essa expressão tornou-se uma espécie de marca registrada para os casos de homossexuais que ocultavam sua condição, temerosos do julgamento da sociedade, que, apesar de toda a sua hipocrisia,- lastreada, infelizmente na quase totalidade das religiões - insistia em apontar o dedo em direção a essas pessoas, imputando-lhes, sem misericórdia, toda a sorte de “pecados”. À medida que o tempo passava, em parte graças a pesquisas científicas, em parte à semitardia descoberta de que cada um é dono de sua própria vida, nada devendo a quem quer que seja, elas resolveram “sair do armário”. Abriram sua vida de par em par: mostraram-se ao mundo tal qual são, sem temores nem culpas. Esse foi, ao meu ver um dos mais importantes passos de nossos tempos em direção à plena liberdade de viver. Essa conquista é um fruto que amadureceu naturalmente, dentro do tempo próprio, em obediência ao princípio que afirma: “natura non facit saltus”, ou seja, a natureza não dá pulos, tudo segue de um ponto a outro de forma absolutamente natural. Aos corajosos, nosso apoio incondicional. No entanto, vamos adiante. Será que a expressão “sair do armário” se presta para definir outras posturas além daquela acima mencionada? Em caso afirmativo, estarão elas alicerçadas no princípio mencionado, (“natura non facit saltus”) ou terão sido alcançadas aleatoriamente, e portanto, carentes de bases duradouras? Se voltarmos um pouco no tempo (não mais que cinqüenta anos) e compararmos a conduta atual da humanidade com aquela, notaremos praticamente em todos os campos, uma diferença total. Analisemos alguns casos em que houve total mudança na maneira de encarar a vida: o idoso nega-se a viver como antigamente, quando seu destino era apenas ser chamado de “velho”, sinônimo de inútil; o casamento deixou de ser uma prisão para o casal; atualmente ninguém permanece num casamento em que não exista harmonia nem felicidade; o casal acha-se no direito de procurar alhures aquilo que não tem dentro de casa; a criação dos filhos obedece a regras nunca dantes experimentada: ao invés de castigos, carinho e relacionamento; as religiões – com suas arcaicas proibições - são seguidas apenas pelos mais antigos, e mesmo assim, pelos que ainda vivem sob o domínio do medo e dos “castigos divinos”. Não há espaço suficiente, nem necessidade de esmiuçar todos os casos em que a humanidade saiu da sua letargia e deu um passo à frente. Em que circunstâncias ocorreram todas essas mudanças? Houve um salto louco, um desrespeito à lei natural, ou, tais condutas são o resultado de sentimentos longamente aprisionados no inconsciente da humanidade? Como não creio em saltos, (vocês sabem porque), o que houve foi a ocorrência de uma catarse de abrangência universal que desmascarou grande parte dos efeitos do nosso recalcamento. Agora que as pessoas enxergam as coisas de uma forma mais aberta, uma grande maioria já perdeu o medo de demonstrar o que sente. É evidente que essa chegada se fez como resultado de uma longa maturação (meça-se essa maturação em termos de séculos, e não de míseros cinqüenta anos). Como tudo na vida, nenhum passo deve ser dado precipitadamente. Sempre que transformações sociais dessa dimensão são alcançadas, é preciso palmilhá-las com um pouco de prudência. Nós mudamos, e precisávamos mudar; a necessidade de “sair do armário” tornou-se imperiosa. Se insistíssemos em nos manter presos a posturas caducas, recalcando todos os sentimentos adormecidos, acabaríamos adotando o modus vivendi da idade média. Pobres de nós se assim fosse. Era preciso dilatar a consciência, despertar, levantar um véu, sair da caverna, trazer luz à escuridão. Por fim, leitor, se você ainda não “saiu do armário”, é hora de repensar sua vida; faça-o com equilíbrio, analise-se cuidadosamente, mas não tenha medo de abrir a porta! Luiz Santantonio - magnolu@uol.com.br |
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