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Fevereiro 2007 - AFINAL, É VERDADE QUE O MUNDO VAI ACABAR?
   

Esse vaticínio tem sido repetido praticamente há mais de dois mil anos, ou seja, desde o início da chamada era cristã. De lá para cá, o número de adivinhos, profetas e horoscopistas é imenso, e todos falharam: o planeta Terra continua vivo a desafiar todas as previsões: os adivinhões falharam! De uns tempos a esta parte, todavia, surgiu uma nova categoria, (não mais de adivinhões) a de cientistas, cujas opiniões são elaboradas a partir de estudos profundos sobre a vida no planeta. Para alguns, ainda haverá salvação se algumas providências drásticas forem tomadas em conjunto por todos os países. À medida que o tempo passa, todavia, não são raros os pesquisadores que descrevem um panorama apocalíptico, quase afirmando - baseados na nossa injustificável indiferença (ou será ignorância pura e simples?) - que nesta altura já não há mais o que fazer senão esperar pelo fim. Exagero? Pessimismo? Antes de uma opinião precipitada convém analisar a irracionalidade com que utilizamos nossos recursos naturais. Será que a nossa ignorância é tamanha, que não percebemos que quase tudo em que tocamos, a pretexto de viver com mais conforto, se parece (em sentido oposto, claro) com o toque de Midas? (Como sabem Midas era aquele rei cujo toque transformava tudo em ouro). Nós somos Midas ao avesso, isto é, tudo em que tocamos tem o dom de transformar o que é belo em feio, o que é útil em inútil, o que é limpo em sujo. E nessa caminhada cega, estamos destruindo o único lugar no universo em que a nossa espécie tem condição de viver, “esforçando-nos dedicadamente” para torná-lo inabitável. Por Deus, observemos os animais (classificados de irracionais); espelhemo-nos neles para aprender como se vive em harmonia com o meio-ambiente; como entre eles não há necessidade de leis que os obriguem a respeitar a natureza pois esse respeito é inerente ao seu viver. No nosso caso é diferente: criamos leis de proteção e preservação do meio-ambiente, (não seria necessário, mas criamos) que são – para não variar - sistematicamente ignoradas. Diante disso cabe perguntar: o mundo estaria preservado se nele habitassem somente os irracionais? (Essa é de enfiar a cabeça em um buraco, porque fere profundamente nosso orgulho de seres que se auto-intitulam de superiores).

Esse raciocínio nos leva a perguntar se nós, os racionais, – envenenados pelo egoísmo cego, pela teimosia e pela descrença – acabaremos por ser os responsáveis pela própria destruição? Estamos falando em destruição sem mencionar guerras, bombas poderosas, ódios entre os povos etc. Limitamo-nos a colocar diante do leitor apenas a extensão da nossa estupidez (que é, segundo certo filósofo, a mais correta definição de infinito) no campo que estamos tratando. Não parece improvável que num tempo relativamente próximo – de acordo com estudos recentes – a vida humana no mundo não terá mais condições de existir. Diante desse quadro, cabe-nos escolher entre as seguintes decisões: tudo isso é catastrofismo gratuito; pagar para ver; mudar radicalmente a forma de viver. Qual delas escolheremos?

Luiz Santantonio - magnolu@uol.com.br

 
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