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Janeiro 2007 - Morre o velho... Nasce o novo; seja bem-vindo!
   

No passado, quando ainda éramos mais simples, a passagem do ano era simbolizada por duas figuras: o ano velho por um ancião trôpego e curvado, que se equilibrava perigosamente numa bengala; e ano novo por uma criancinha rosada e sorridente. Esse tempo passou, e com ele, muito da simplicidade e inocência na maneira de encarar o evento. Hoje somos mais pragmáticos (para usar uma palavra da moda), e ao fazermos as comparações entre o ano que passou e o que está entrando ficamos em dúvida – alarmados pela repetição de desgraças veiculadas em jornais e revistas, coadjuvadas pelas pessimistas retrospectivas apresentadas pela televisão – que o novo seja portador dos mesmos genes de seu antecessor. Se o passado foi ruim, o futuro, em que pesem as festividades e cumprimentos próprios da época, deverá acompanhá-lo. É o que no primeiro momento conseguimos concluir. Logo depois, todavia, seguimos a tradição e repetimos, mecanicamente, sem nenhuma emoção verdadeira, o surrado chavão: ano novo vida nova! Eis a grande contradição: o que nos autoriza esperar por um ano “pleno de realizações”, se a nossa observação, baseada na análise das situações vividas no ano que finda, principalmente as desgraças insistentemente “marteladas” na nossa cabeça pelo desserviço que nos presta a mídia quase nos garantem que o novo se assemelhará ao velho?
Afinal, devemos ou não alimentar a esperança de que as coisas vão melhorar? Sim, porque existe um algo a mais que pulsa em nossa alma e sinaliza que de alguma forma as coisas poderão ser diferentes. Mas como? Já sabemos que é totalmente inócuo para esse fim o ato de “navegar” do dia 31 para o dia 1°, porque nada fará com que o primeiro dia do novo ano, de per si, traga a mudança com a qual sonhamos. Se formos honestos – e nessa situação é preciso que sejamos - e apelarmos para o bom senso e a lógica das coisas acabaremos por concluir que nada mudará se nós não mudarmos. Então: nossa vida somente será diferente a partir do momento em que nos tornarmos diferentes, nunca antes! Acredito que o leitor terá interesse em conhecer – ou quiçá apenas recordar – como se deve alcançar a meta em busca do sentido do que é ser diferente, pois ela, e somente ela é a responsável pela diferença entre o “ontem e o amanhã”.
Para entender-lhe o verdadeiro sentido é mister que nos afastemos um pouco das concepções meramente convencionais e “mergulhar” no recôndito de nossa alma, pois ali estão dormentes as respostas que precisamos. Ali, se de fato queremos que o ano (a vida, afinal) seja diferente, temos que procurar pelo nosso eu real, aquele que teme, que sofre, que inveja, que odeia e também às vezes sabe amar. Quais entre os sentimentos mencionados temos aplicado com mais freqüência no nosso dia-a-dia? Somos sinceros em nossos relacionamentos? Desejamos de fato o bem dos nossos amigos quando os cumprimentamos? Compreendemos o valor do perdão? Somos pacientes, ou ao menos tolerantes? Somos leais nas nossas relações amorosas? E a nossa honestidade como vai? É firme, constante, ou flutua ao sabor de interesses, nem sempre éticos? Enfim, é preciso procurar bem fundo e responder sinceramente às perguntas que estamos acostumados a ignorar, fingindo que o assunto não é conosco.
Depois dessa pequena jornada, e de analisar nossos sentimentos vis-à-vis, com o firme propósito de realizar algumas reformas interiores, teremos condição de prever, com relativa certeza, qual o grau de sucesso ou bem-estar que alcançaremos no ano novo. Sem essa viagem de reajuste ao âmago dos nossos sentimentos tudo se resumirá à decepcionante e inútil rotina das convenções sociais. Se assim for, continuaremos a nos presentear com a repetição, ano após ano, da presença dessa fatídica herança, e pouco ou nada (mais nada do que pouco) devemos esperar em relação ao “bebê” que acaba de nascer. Aprendamos, pois, a seguir corretamente o rumo que a bússola do nosso verdadeiro eu nos aponta. Esta é a hora de mudar e de nos desejar, por conquista própria, um feliz ano novo!

Luiz Santantonio

 
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