![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Dezembro 2006 - O NATAL ESTÁ AÍ. ABRE-SE O PALCO; QUE NOME DAREMOS AO ESPETÁCULO? |
||
Todo o ano escrevo uma crônica relacionada ao Natal. Escrever sobre essa data parece, à primeira vista, até fácil, porque as idéias, infelizmente, são recorrentes, tendo em vista que até agora nenhuma novidade histórica ou religiosa surgiu para dar novo colorido à data. Estamos acostumados ao surgimento de novidades; o que não muda não tem vida longa, afirmamos convictos. Então, se nada mudar nesta crônica, por exemplo, o leitor com certeza se aborrecerá. Mudemos então o enfoque, fazendo uso de algumas considerações que nos afastem um pouco do lugar comum. Pergunta: O mundo comemora o Natal baseado em que? Resposta: no nascimento de Jesus. Esse personagem foi um profeta, um enviado de Deus, ou como muitos acreditam, o próprio Deus encarnado? Qualquer que seja sua classificação, uma coisa é certa: segundo o que dele se sabe, veio ao mundo para exemplificar a fraternidade, o amor e o perdão; tudo embasado num alto sentido de espiritualidade. Desse fato se infere, sem apelar para nenhum aspecto religioso, que tudo o que se refere a ele deveria basear-se, por força de uma dedução lógica, apenas e unicamente no sentido espiritual. O mundo contemporâneo, todavia, tornou-se escravo de dois senhores altamente perversos: materialismo & consumismo. As coisas do mundo enfeitiçaram a humanidade, e seu poder de sedução desvirtuou tudo ou quase tudo o que possuía sentido espiritual. Analisando-se honestamente nossa conduta com relação à forma como comemoramos essa data, que resposta obteremos? Convertemos o Natal numa comédia materialista, contrariando frontalmente sua procedência. Se a origem é espiritual, por que a transformamos numa coisa material, e o que é pior, mundana? Apenas para chafurdar de corpo e alma na busca de satisfações materiais momentâneas? Para que, afinal, tanta hipocrisia? Já que para nós a vida é apenas um teatro, em cujo palco a realidade é convertida numa comédia de mau gosto, por que não criar para o período natalino uma peça que se adapte ao que tanto gostamos de fazer: comer, beber e sacrificar nosso crédito para encher amigos e familiares de bugigangas a título de “presentes de Natal”? Ao menos seríamos autênticos, honestos, e não mais gastaríamos nosso tempo repetindo palavras que não sentimos, como por exemplo, o clássico: “Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”, e outros chavões igualmente desprovidos dos sentimentos ditos natalinos. Se quisermos “de boa vontade” fazer a caminhada de volta às origens (imaginando-se que de fato acreditamos naquilo que a tradição afirma) precisaremos modificar radicalmente o enredo de nossa vida, e passo a passo, sem esmorecimento, recriar o ambiente do verdadeiro sentido do Natal. Caso contrário, temos que dar trato à imaginação para criar novas cenas para o nosso desgastado espetáculo natalino. É tempo, leitor/a, de “sentar e pensar”. E o feliz Natal que desejamos é diferente do convencional: situa-se distante de tudo aquilo a que estamos servilmente habituados, e perto, bem perto, carinhosamente perto, daqueles que amamos. Luiz Santantonio - magnolu@uol.com.br |
Aumente e diminua as letras: |