Entre nós, civilizados (civilizados?) a palavra egoísta tem uma conotação pejorativa. E não é para menos, já que o dicionário a define como: “pessoa que tem amor-próprio em excesso que a leva a olhar apenas para seus interesses com desprezo dos alheios”. Essa conduta faz parte integrante da nossa cultura e a pessoa que não cuida de seus interesses com garras bem afiadas, ou seja, egoisticamente, é tachada de tola. Deixemos de lado a definição clássica, e partamos para algo melhor.
Vamos, pois, com boa vontade e imaginação, revitalizar o sentido da palavra, tirando-a do limo em que se encontra. Para isso temos que nos comportar como advogados de defesa, demonstrando que nosso cliente não é um criminoso, e sim, vítima da aridez do dicionário. Ora, egoísta, como vimos, é a pessoa que trata de seus interesses com amor-próprio excessivo (eu o rebatizaria de negativo). Por que não transformar esse amor-próprio interesseiro em amor legítimo, espiritualizando-o, ou seja, excluindo a parte moralmente prejudicial e incluindo outra mais distante dos interesses materiais, de modo que o egoísmo positivo obscureça gradativamente o negativo? Difícil? Talvez, mas se considerarmos a infinidade de desafios “impossíveis” que a humanidade tem vencido ao longo dos milênios, não devemos deter-nos diante de uma conquista dessa importância.
Todos podem-e devem-aceitar esse desafio e vencê-lo, eis que todos nós, uns mais outros menos, carregamos alguma dose de mau egoísmo em nossa bagagem. Não acredito que a pessoa que se conscientize disso não queira mudar as coisas. Afinal de contas, aprimorar nosso amor próprio espiritualizando-o, é uma das prioridades do nosso viver. Quem não gostaria de ostentar em seu currículo espiritual essa conquista? Basta reavaliar nossos valores, derrubando a cerca dos interesses mesquinhos em que estamos constantemente envolvidos, e motivar-nos positivamente ante os fatos da vida. Esse é um dos grandes e importantes desafios (que infelizmente passa despercebido, quase ignorado) que precisamos vencer; e para realizá-lo não necessitamos demonstrar inteligência acima do normal, nem realizar proezas além de nossas forças, porque está ao alcance de qualquer pessoa de boa vontade. Concluindo: Seja egoísta e viva melhor... muito melhor!
Luiz Santantonio - magnolu@uol.com.br