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Outubro 2006 - Por que hoje, e não ontem ou amanhã? |
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Inicialmente, para melhor compreensão do texto, vamos substituir ontem, hoje e amanhã por presente, passado e futuro, de vez que é nosso hábito viajar teimosa e constantemente entre essas três épocas. Vivemos ora numa ora noutra, dependendo do momento. Entre as três, há um prazer mórbido pelo passado, pela lembrança dos “maus pedaços” vividos. É curioso que raramente nos recordamos dos bons momentos. Por que essa insistência inútil em relembrar o que já passou, e continuar indefinidamente nos martirizando por tais recordações? O curioso é que raramente procuramos encontrar, nos maus momentos, algo de positivo que de alguma forma tenha contribuído para retemperar as forças, fortalecer o caráter, e evitar que cometêssemos os mesmos enganos que hoje nos fazem sofrer. (É útil, afastar de vez, a falsa idéia de que os outros, e só eles, são os responsáveis pelo que passamos). Nós gostamos não apenas de relembrar os acontecimentos idos como também de reproduzi-los adornados de adjetivos dramáticos, quase sempre além do que verdadeiramente ocorreu. Muitas vezes, para justificar as ocorrências passadas, damos um salto em direção ao futuro. Aí então, sonhamos ou com um porvir cor-de-rosa, ou – pela influência negativa do passado – com nuvens sombrias sobre nosso destino. Esse modo de vida é o caminho mais curto para viver mal o nosso presente, sem alegrias e sem esperança porque nos “penduramos” em duas cordas: na que já foi e na que virá. O futuro – próximo ou distante – nos é inteiramente desconhecido, sem qualquer possibilidade de adivinhação, nem mesmo pelos “especialistas em ler a sorte”. Vivamos o agora, pois ele é o único momento em que temos condição de fazer algo. Podemos ser culpáveis em relação ao passado, apreensivos a respeito do futuro, mas somente no agora podemos agir. Passado e futuro geram apenas ansiedade e sentimentos de culpa. Nós sofremos na medida em que vivemos o “poderia ter sido” ou o “poderá ser” da vida, eliminando a realidade presente. É indispensável um esforço diário para excluir as inquietações e ansiedades das experiências passadas e acontecimentos futuros, vivendo intensamente o agora! Luiz Santantonio - magnolu@uol.com.br |
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