A ideia correta seria esta: a cada ano que se inicia deveríamos nos alegrar porque estaríamos colhendo os frutos do ano anterior; tais frutos seriam uma vida mais feliz por termos levado a efeito nossas promessas. Como isso não acontece, o que seria uma festa, serve apenas de frustração. Tanto é verdade, que o começo de um novo ano nos remete apenas aos eventuais problemas “que por certo se repetirão”. Enquanto vivermos presos aos conceitos que nossa desastrada sociedade nos impinge, teremos de nos conformar com o fato recorrente que utilizamos todo início de ano: a promessa de que tudo será diferente no próximo ano. Prometemos (sem nenhuma convicção, sem um plano verdadeiro) que mudaremos de vida, tudo será diferente. Quantas vezes reiteramos essas promessas, movidos na verdade, por falta do que dizer, sem dar um passo na verdadeira modificação de nossos passos, que pela eterna recorrência, nunca nos levaram a lugar nenhum. Trata-se, ao que parece, de uma brincadeira de criança e não algo, gerado por uma pessoa responsável.

Tal conduta precisa ser banida de nossa vida. Se de fato não estamos gostando do rumo que as coisas ocorrem, e desejamos ardentemente modificá-las, faz-se mister crescer e agir, pondo em prática, ainda que parcialmente, algo de prático do que, irresponsavelmente, prometemos: uma verdadeira modificação pessoal. Modificar-se, crescer, não se consegue sem trabalho interior constante. Encontrar um caminho para iniciar essa transformação (praticamente serão duas vidas e não uma) requer algo que precisa ser buscado, dentro de nós. Para isso é indispensável confiar em nossa origem, se cultivarmos a paciência requerida, nos surpreenderemos com o nosso potencial (infelizmente ignorado). Caso nossa busca seja de fato sincera, encontraremos em nossa despensa espiritual um “estoque” enorme de possibilidades que, se acionadas, nos mostrarão, com clareza e limpidez, o caminho a seguir, sem apelar para nada irreal, ou místico. Basta acreditar no que somos de verdade para traçar um caminho novo para todos os anos, sem recorrer a promessas, baseadas apenas na nossa injustificada imaturidade. Abracemos juntos o porvir, e de mãos dadas enfrentemos, corajosamente, o novo ano, semeando, cuidadosamente, nossos passos para que em 2019 acordemos com alegria por ter alcançado sucesso em nossas promessas.

Luiz Santantonio
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