Dentro e fora serão definidos como um conceito de vida a ser estudado. Desde muito jovem tento analisar o ser humano por essa via, ou seja, que há uma diferença entre nossa vida interior (que desconhecemos) e a outra, a exterior que ostentamos, embora seja na verdade, tão desconhecida como a outra. Para isso, nada melhor que um exemplo, de preferência real: dia desses, ao passar diante de um templo no momento em que os seguidores se amontoavam na porta de entrada, deparei com um espetáculo inédito: dois senhores discutindo acaloradamente, enfrentando-se (pasmem) usando como “armas”, suas bíblias! Ora, não havia dúvida que ambos haviam saído de um culto. Como se explica que após sair de um período em que haviam acompanhado o serviço religioso, (presume-se com respeito) lançaram-se um contra o outro? Aí está, leitor, uma ligeira explicação do significado do “ dentro e fora”.
Agora vamos ao cerne do problema: que tipo de pessoas somos afinal? Aquela pessoa assistindo ao serviço religioso, aparentando estar vivendo os ensinamentos transmitidos, ou outra, distante, vivendo uma vida totalmente diferente do que lhe é ensinado? Ainda que isso nos pareça contraditório, é assim que vivemos; em camadas, cada qual personificando uma pessoa diferente; fomos moldados pela sociedade, de tal maneira que conseguimos criar muitos “eus”, conforme a situação exige.
Como é possível viver bem, em harmonia com a nossa tarefa no mundo se nós nem sequer sabemos o que somos? E quanto à nossa conduta o que dizer? O século em que vivemos, pela evolução científica já alcançada, não permitirá que continuemos na sombra; a pergunta final é: Vamos nos emancipar como criaturas espirituais, ou apenas baixar a cabeça e nos conformar em ser peças mecânicas sem vida própria, e sujeitas a ser jogadas no ferro velho?
O momento exige a nossa solidariedade em busca da causa comum: nossa condição de humanos!

Luiz Santantonio
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