Quanto mais vivo, mais me preocupo com o que o futuro nos reserva. Ainda que pareça incrível, entre tantos descaminhos que nos fazem perder o rumo de nossa vida, o mais grave no meu entender é o afastamento gradativo de nossa condição de humanos, motivada pela insanidade com que nossa tecnologia é utilizada. E a vida moderna, infelizmente, hipnotizada pelos “milagres” das conquistas materiais nos empurra para os braços das máquinas; tanto é verdade, que dentro de mais algum tempo (para citar um dos campos mais propícios a ser “abduzidos”) não haverá necessidade de médicos para nos atender, sendo substituídos por robôs; a função do médico será especializar-se em apertar os botões certos, nada mais. Exagero meu? Vamos a um pequeno exemplo:

Como nós, apesar de estarmos em pleno século vinte e um, ainda não encontramos o caminho para a felicidade, recorremos sempre a uma busca, como se ela estivesse muito distante. Dessa forma não nos resta outro caminho senão o da ilusão. Assim, vivemos permanentemente atrelados a ilusões momentâneas, a tapa-buracos.
O leitor, por certo, já conhece o velho clichê que afirma – pelo menos em nosso querido Brasil – que o novo ano só começa pra valer, depois do carnaval. Afinal, por que insistimos que antes do carnaval há um sentimento de que as coisas não funcionam? Porque essa festa popular nos conduz a um período de liberdade, durante o qual nos livramos da dura realidade da vida e podemos, nesse breve intervalo,

A ideia correta seria esta: a cada ano que se inicia deveríamos nos alegrar porque estaríamos colhendo os frutos do ano anterior; tais frutos seriam uma vida mais feliz por termos levado a efeito nossas promessas. Como isso não acontece, o que seria uma festa, serve apenas de frustração. Tanto é verdade, que o começo de um novo ano nos remete apenas aos eventuais problemas “que por certo se repetirão”. Enquanto vivermos presos aos conceitos que nossa desastrada sociedade nos impinge, teremos de nos conformar com o fato recorrente que utilizamos todo início de ano: a promessa de que tudo será diferente no próximo ano. Prometemos (sem nenhuma convicção, sem um plano verdadeiro) que mudaremos de vida, tudo será diferente. Quantas vezes reiteramos essas promessas, movidos na verdade, por falta do que dizer, sem dar um passo na verdadeira modificação de nossos passos, que pela eterna recorrência, nunca nos levaram a lugar nenhum. Trata-se, ao que parece, de uma brincadeira de criança e não algo, gerado por uma pessoa responsável.

O que seria, afinal, uma alma perfumada? Poderia ser, apenas, uma ideia relacionada com poesia? Sim, poderia, porém não é esse o meu objetivo. Alma perfumada (encobre uma metáfora – qual?) Vamos adiante. Como amante da natureza, acredito que todos os seres, até mesmo os vegetais, sejam dotados de algum tipo de alma. No mundo atual, vergonhosamente materializado, a palavra “alma” soa rançosa, tal o nosso distanciamento de uma vida espiritualizada. De minha parte quanto mais tenho contato com as flores, mais e mais me convenço de que elas nos servem de exemplo de vida. Antes, porém, de expor minha teoria vou contar-lhes como essa ideia germinou: dia desses assisti a um programa sobre flores; não preciso dizer o quanto me impressionou presenciar o desabrochar dos mais diferentes exemplares;

Dentro e fora serão definidos como um conceito de vida a ser estudado. Desde muito jovem tento analisar o ser humano por essa via, ou seja, que há uma diferença entre nossa vida interior (que desconhecemos) e a outra, a exterior que ostentamos, embora seja na verdade, tão desconhecida como a outra. Para isso, nada melhor que um exemplo, de preferência real: dia desses, ao passar diante de um templo no momento em que os seguidores se amontoavam na porta de entrada, deparei com um espetáculo inédito: dois senhores discutindo acaloradamente, enfrentando-se (pasmem) usando como “armas”, suas bíblias! Ora, não havia dúvida que ambos haviam saído de um culto. Como se explica que após sair de um período em que haviam acompanhado o serviço religioso, (presume-se com respeito) lançaram-se um contra o outro? Aí está, leitor, uma ligeira explicação do significado do “ dentro e fora”.

Estamos acostumados a premiar as pessoas que, de uma forma ou de outra, demonstram arrojo excepcional diante das mais diferentes conjunturas que a vida apresenta: guerras, hecatombes, conflitos sociais, acidentes; enfim, o que não falta ao mundo é a presença de situações dramáticas que exijam sacrifícios de todos e a temeridade de alguns, em cujo clima se forjam os heróis. Contudo é conveniente nos lembrar de que a vida é um imenso quebra-cabeça que deve ser montado peça por peça, da maior à menor; todas devem ser valorizadas, sendo impossível realizar a tarefa deixando-se algumas de fora apenas por nos parecer insignificantes. Será que é justo considerar um simples catador de papéis (entre outros casos semelhantes) como uma peça do nosso quebra-cabeça, ou quem sabe (na cabeça do escrevinhador) um dos heróis anônimos??? Caso o leitor tenha pensado dessa maneira, adivinhou,