Crônica

abril-2018-cronica

É proibido ficar triste

Eles estavam brigados. Aquelas discussões que só servem para acinzentar o fim de semana.
Ele, foi pensar na piscina e, tomando uma cerveja, retratou aquele cenário paradisíaco.
Ela, cai na bebedeira com as amigas. Na foto, todas lindas no janelão da casa de Angra. 230 curtidas.
Mentira real na rede social.
Assunto batido dizer que, em tempos de rede social, ninguém mais é triste? Acho que não.
Dia desses encontrei uma conhecida e, conversando, ela diz:- “Puxa, não imaginava que estivesse passando por essas questões”. É nossa velha mania de achar que a grama do vizinho…
Ando com saudade da liberdade do choro, da tristeza. Quem nunca chorou com aquela música, que lembra aquela pessoa, e bate aquela saudade?
Ou, já se sentiu sozinho em meio à multidão? Ou acordou azedo mesmo. Aquele trem ruim que dá, a sobrancelha levanta e uma vontade enorme de dizer “bom dia, porquê”? Vida real. Não de rede social.
Não há mal algum em sentir-se estranho, às vezes. A vida é feita de tantos acontecimentos e é impossível ser feliz o tempo todo.
Para nós, a esposa do outro é mais compreensiva e os filhos da outra são mais educados.
Balela. Como já disse alguém, “De perto, ninguém é normal”! Permitir-se chorar, quando aquele projeto não foi aprovado, pode acalmar o coração. E quem nunca discutiu com o par e questionou tudo? Do sentido da vida a dois, passando pela vocação profissional e questionando até o time do coração? Caos interno.
Mas, bom mesmo é encher a cara de chocolate, com aquele pijamão do Mickey, assistindo qualquer filme do Hugh Grant. Remédio poderoso para fim de relacionamento.
Uma vez lavada a alma, o dia seguinte é sempre um recomeço. Eu já fiz isso!
Só não postei no facebook. Ô pijaminha feio…

Elaine Feliciano – e-mail – nanepfeliciano@gmail.com